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Medina retorna à WSL satisfeito com mudanças e focado no tetra: ‘Por isso eu voltei’

O ano começa de um jeito bem diferente para Gabriel Medina. Em 2025, uma lesão no ombro logo no dia 9 de janeiro o tirou de todas as etapas do circuito mundial. Agora, em 2026, ele está completamente recuperado e com uma nova chance. A temporada da WSL só começa no dia 1º de abril, uma mudança importante no calendário. Isso deu ao atleta um tempo valioso para retomar seu ritmo ideal sem pressa.

A primeira parada será em Bells Beach, na Austrália. É ali que o surfista de 32 anos inicia sua busca por um feito histórico. Ele quer se tornar tetracampeão mundial, um título que pouquíssimos conquistaram. A motivação dele vem justamente desse desafio gigante. Voltar às competições só faz sentido com um objetivo claro e ambicioso na mente.

Medina já venceu o circuito em 2014, 2018 e 2021. Cada conquista foi um sonho realizado, mas atletas de alto nível sempre miram no próximo passo. Alcançar o tetra o colocaria em um patamar exclusivo. Apenas dois nomes na história têm quatro títulos ou mais no masculino. Essa possibilidade é um combustiente poderoso para seguir em frente.

Um formato de disputa que voltou no tempo

O caminho até esse quarto título terá um gosto de novidade e, ao mesmo tempo, de familiaridade. A liga mundial decidiu retornar ao formato de pontos corridos. Isso significa que o campeão será aquele que acumular a melhor pontuação ao longo de todo o ano. Não haverá uma etapa final única para decidir tudo. O sistema recompensa a consistência de janeiro a dezembro.

O próprio Medina prefere esse modelo. Ele viveu a era do “Finals”, o mata-mata que definia o campeão em uma única prova. Para ele, embora tenha sido uma experiência legal, o formato antigo trazia riscos. Um surfista poderia não estar cem por cento justo no dia mais importante. Uma decisão tomada em uma única onda nem sempre reflete todo um ano de trabalho.

Com o retorno dos pontos corridos, a estratégia muda completamente. Cada heat, cada onda, em qualquer etapa do mundo, conta pontos preciosos. É um jogo de paciência e regularidade. O atleta precisa estar bem o tempo todo, não apenas no auge da temporada. Essa mudança exige um planejamento diferente, tanto físico quanto mental.

Uma parceria brasileira nos bastidores

Outra novidade na preparação de Medina vem de casa. Depois de anos sendo treinado pelo australiano Andy King, ele agora tem um técnico brasileiro. Adriano Souza, o Mineirinho, assume o papel. Mineirinho foi um dos pioneiros da “Brazilian Storm” e campeão mundial em 2015. A parceria nasceu de uma admiração de longa data e de uma conexão natural.

Para Medina, a comunicação fluida é uma vantagem enorme. Explicar sentimentos, dúvidas e sensações na própria língua facilita todo o processo. Mineirinho, por ter sido um atleta de elite, entende a pressão e os desafios específicos do circuito. Essa troca direta e sem barreiras culturais pode fazer toda a diferença nos pequenos ajustes.

A parceria começou a ser trabalhada no início deste ano. Eles estabeleceram uma rotina de treinos e uma comunicação muito próxima. Mais do que um técnico, Mineirinho se tornou um aliado que compreende o momento da carreira de Medina. É uma relação baseada no respeito mútuo e no desejo comum de alcançar o topo novamente.

A paciência durante a recuperação

A lesão no ombro, que parecia um grande revés, acabou sendo um período de aprendizado. Desde meados do ano passado, Medina já estava recuperado. Ele chegou a tentar um retorno na etapa de Teahupoo, em agosto. Porém, sem ranking na época, ele dependia de um convite especial, que não surgiu. A vaga simplesmente não estava disponível.

Esse contratempo obrigou o atleta a manter o foco apenas nos treinos. Longe das competições, ele pôde dedicar mais tempo à família e aos amigos. Foi um respiro involuntário, mas que trouxe um equilíbrio necessário. Às vezes, a pausa forçada revela aspectos importantes que a correria do circuito não deixa a gente enxergar.

Todo esse tempo de preparação silenciosa agora se transforma em motivação. Medina cuidou da alimentação, do sono e da recuperação com extremo cuidado. O pensamento sempre foi um só: estar em plenas condições para a primeira etapa em Bells Beach. Essa disciplina durante o período de espera só aumentou sua vontade de competir.

O surfe, no final das contas, sempre traz o melhor dele. Independente do resultado que virá, a simples possibilidade de estar de volta já é uma vitória. A nova temporada se apresenta como uma página em branco. Com um time brasileiro nos bastidores e um formato que valoriza a consistência, Medina encara cada onda com a serenidade de quem aprendeu a valorizar o processo.

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