A maioria dos brasileiros que apostou nos jogos da Copa do Mundo não viu retorno financeiro. É o que aponta uma pesquisa Datafolha realizada logo após a final do torneio. Para 63% das pessoas que participaram dessas apostas, a experiência foi negativa ou neutra.
Dentro desse grupo, quase metade afirma ter perdido dinheiro de fato. Outros 15% relatam que ficaram no zero a zero, sem ganhos ou perdas. Apenas 37% dos apostadores conseguiram um saldo positivo no final das contas.
O estudo revela que 6% da população adulta no país fez apostas esportivas específicas da Copa. É importante notar que a pergunta focou apenas nos jogos do torneio, deixando de lado outras modalidades esportivas ou os populares caça-níqueis online.
O cenário das apostas durante o torneio
A presença das casas de apostas foi marcante durante toda a competição. Elas figuraram entre os principais patrocinadores, com anúncios nos estádios e nas transmissões televisivas. A grega Betano, por exemplo, teve letreiros à beira do gramado em vários jogos.
Nas transmissões da Globo, SBT, CazéTV e Nsports, nomes como Bet365, KTO e BetMGM ocuparam os intervalos comerciais. Eles também apareceram nas novas pausas para hidratação, uma mudança de regra inspirada no futebol norte-americano implementada nesta edição.
Esse ambiente publicitário intenso coincide com um dado demográfico claro: a prática é muito mais comum entre homens. Enquanto 9% deles apostaram na Copa, apenas 3% das mulheres fizeram o mesmo. Um levantamento anterior já indicava que 7% dos adultos apostam com regularidade em qualquer modalidade.
O impacto da Copa e a reação do público
A expectativa do setor era de um crescimento robusto com o evento, mas o resultado foi moderado. A eliminação precoce da seleção brasileira esfriou parte do entusiasmo. Além disso, a enxurrada de propagandas gerou certo desgaste entre os espectadores.
Dados do mercado mostram que, apesar de um aumento no número de apostadores e no valor médio dos depósitos, as projeções mais otimistas não se concretizaram. O faturamento das casas varia: algumas dependem mais de prognósticos esportivos, enquanto a maior parte da receita do setor vem de jogos eletrônicos.
Esse contexto parece estar relacionado a uma mudança no interesse geral pelo futebol. A mesma pesquisa de julho mostra que o engajamento com o esporte diminuiu. Hoje, 64% dos brasileiros declaram algum interesse, seja muito (28%) ou pouco (35%).
Uma mudança no interesse pelo futebol
Há três anos, em 2023, esse índice era de 72%. A queda foi de oito pontos percentuais, um movimento perceptível. O grupo dos desinteressados, por sua vez, cresceu de 28% para 36% no mesmo período.
Essa pesquisa foi feita antes do início do processo de regulamentação do setor de apostas, que é recente. O momento atual, portanto, captura um cenário de transição, onde a euforia da Copa já passou e o mercado busca uma nova normalidade.
O dado final reflete um cenário mais realista após o fim da festa. Para muitos, a aposta foi um entretenimento com resultado financeiro negativo. Para o futebol, os números sugerem um desafio: reconectar-se com um público que parece um pouco mais distante.
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