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Lutador de jiu-jitsu André Galvão é acusado de assédio sexual por ex-aluna

Um caso grave envolvendo um dos maiores nomes do jiu-jitsu mundial está abalando a comunidade das artes marciais. A jovem lutadora americana Alexa Herse, de 18 anos, acusou publicamente o brasileiro André Galvão de assédio sexual. Os relatos, feitos pelas redes sociais, detalham episódios que teriam ocorrido durante treinos na academia Atos, nos Estados Unidos. Galvão, que é fundador e líder da equipe, nega veementemente todas as acusações.

A atleta, que competia sob a bandeira da equipe Atos, descreveu um padrão de comportamento inadequado ao longo de seis meses. Ela afirma que o professor a tocava de forma inapropriada durante os treinamentos e fazia comentários constantes sobre seu corpo. A situação, segundo seu depoimento, criava um ambiente de constrangimento e desconforto profundo dentro do dojô.

Ainda de acordo com o relato, Galvão teria usado sua posição de autoridade para forçar a proximidade. Ele separava a aluna do parceiro que ela escolhia e assumia o lugar, obrigando-a a treinar diretamente com ele. Em um dos episódios mais graves, Alexa contou que o professor emitiu gemidos sexuais em seu ouvido durante uma posição de luta. Em outra ocasião, ele teria lambido sua orelha.

Diante da situação persistente, a jovem decidiu buscar ajuda dentro da própria estrutura da academia. Ela procurou Angélica Galvão, esposa de André e co-líder da equipe, para relatar o que estava acontecendo. A resposta, segundo Alexa, foi de total desamparo e tentativa de silenciamento. Angélica teria dito para ela não falar nada sobre o caso e fez comentários sobre não “morder a mão que alimenta”.

A postura da liderança, conforme a narrativa da atleta, foi a de ignorar a queixa e proteger o marido. A jovem finalizou essa parte do relato com uma pergunta direta e impactante, questionando como a família agiria se a vítima fosse sua própria filha. Essa revelação joga luz sobre a complexidade de denunciar abusos em estruturas de poder verticalizadas, onde o denunciante muitas vezes se vê isolado.

Poucas horas antes da publicação do desabafo de Alexa, André Galvão já havia se adiantado nas redes sociais. Ele postou uma mensagem genérica alertando sobre “rumores falsos” que estariam sendo espalhados. Sem citar nomes, o lutador negou qualquer conduta inadequada e anunciou que tomará medidas legais para se defender. A estratégia de antecipação é comum em crises de imagem públicas.

Em sua defesa, Galvão afirmou que as alegações não são verdadeiras e que está adotando as providências cabíveis para proteger a integridade de sua equipe. Ele também evitou polemizar publicamente, dizendo não querer disputas nas redes sociais. O brasileiro garantiu que a verdade virá à tona e vinculou o caso a mudanças administrativas e financeiras recentes na academia.

O caso levanta debates urgentes sobre a dinâmica de poder em ambientes esportivos. A relação entre professor e aluno, principalmente em artes marciais com contato físico, exige limites claros e um código de conduta rígido. A denúncia de Alexa Herse coloca em cheque os mecanismos de proteção existentes para atletas jovens em formação, que muitas vezes veem seus ídolos como figuras intocáveis.

A repercussão imediata no meio do jiu-jitsu foi intensa, com muitos aguardando os desdobramentos legais prometidos por ambas as partes. Enquanto a justiça não se pronuncia, a comunidade esportiva é obrigada a refletir sobre seus próprios protocolos. A credibilidade de uma das equipes mais vitoriosas da atualidade está em jogo, assim como a segurança de seus atletas.

Independentemente do veredito final, o episódio serve como um alerta. Ele mostra a importância de canais seguros e independentes para receber denúncias, longe de qualquer conflito de interesses. A proteção dos atletas deve sempre vir à frente de resultados ou reputações. O silêncio nunca pode ser a resposta para quem busca ajuda.

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