O presidente Lula acompanhará o desfile da Acadêmicos de Niterói neste domingo. A escola abre a primeira noite do Grupo Especial do Rio com um samba-enredo sobre sua trajetória. A apresentação será transmitida ao vivo pela televisão.
Lula assistirá de um camarote, enquanto a primeira-dama Janja participará diretamente de um carro alegórico. Ela se torna a primeira anfitriã do Palácio da Alvorada a desfilar por uma escola do Rio. O enredo também homenageia Marisa Letícia, representada por uma atriz no sambódromo.
A escolha do tema, porém, gerou polêmica e ações na Justiça Eleitoral. Partidos de oposição viram na homenagem uma forma de propaganda antecipada. O Tribunal Superior Eleitoral não barrou o desfile, mas emitiu um alerta claro sobre os riscos da situação.
A ministra Cármen Lúcia comparou o cenário a uma área de areia movediça. Ela destacou que a festa popular não pode servir de brecha para ilícitos eleitorais. A própria presidência da República tratou o evento como uma agenda privada, com regras específicas para os ministros.
O posicionamento oficial do governo
A Advocacia-Geral da União emitiu um parecer definindo os eventos como particulares. Ministros e auxiliares foram orientados a não participar do desfile em homenagem ao presidente. Qualquer viagem para assistir à apresentação deve ser custeada de forma pessoal.
Eles também foram proibidos de criar agendas oficiais que coincidam artificialmente com o Carnaval. Outra recomendação importante é evitar manifestações públicas em favor do governo durante o período. A ideia é separar claramente a função pública da festividade popular.
Essas medidas mostram a cautela do Palácio do Planalto. O objetivo é minimizar qualquer interpretação de uso indevido da máquina pública. O governo busca isentar a figura do presidente de envolvimento direto com a organização do evento.
As divisões e os riscos políticos
Nos bastidores, aliados e assessores estão divididos. A presença de Lula no Carnaval de três capitais foi muito debatida. Alguns enxergam um risco político considerável nessa exposição. O ambiente do sambódromo é diferente de um comício tradicional.
A plateia é formada por um público diverso, não apenas por apoiadores. Existe o receio de vaias e outros insultos durante o longo desfile. Esse tipo de imagem pode ter um impacto negativo, reverberando nas redes sociais e na mídia.
Outro temor específico está ligado ao resultado do concurso. Lideranças petistas receiam um desempenho ruim da escola. Caso a Acadêmicos de Niterói seja rebaixada, a situação pode gerar memes e associações negativas. A fama de pé-frio é algo que ninguém quer perto de uma campanha eleitoral.
Os argumentos a favor da participação
Um outro grupo dentro do governo vê a participação com bons olhos. Eles defendem que a proximidade com festas populares é sempre positiva. Para esses aliados, o Carnaval é um momento de celebração e não de protesto político.
Eles acreditam que o público estará focado na beleza do espetáculo. A narrativa seria mais sobre cultura e menos sobre política partidária. A imagem do presidente junto à maior festa popular do país poderia, na visão deles, trazer um saldo positivo.
A decisão final, no entanto, já está tomada. Lula estará no camarote, assistindo à homenagem. O desfile segue com seu enredo planejado, dentro das regras do Carnaval. O resto dependerá do samba no pé e da recepção da plateia.
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