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Lula evita se envolver em escândalo do Master

O presidente Lula decidiu não se envolver publicamente no caso do Banco Master. A posição foi confirmada por aliados próximos, que destacam o respeito à autonomia do Banco Central. A decisão de liquidar o banco é vista como uma atribuição exclusiva da autoridade monetária.

Mesmo com a proximidade entre Lula e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, o Planalto optou por se manter distante. A avaliação interna é que qualquer manifestação poderia ser interpretada como interferência política. O fato de o caso já estar no Supremo Tribunal Federal reforça essa postura de cautela.

O relator do processo no STF é o ministro Dias Toffoli. A tramitação na Corte afasta ainda mais a possibilidade de um posicionamento do Executivo. A ideia é evitar qualquer desgaste político em um tema técnico e já judicializado.

A cautela no Planalto aumentou depois que veio à tona um contrato milionário do Banco Master. A instituição pagou cerca de R$ 3,6 milhões por mês a um escritório de advocacia ligado a familiares do ministro Alexandre de Moraes. O valor chamou a atenção pelo seu montante e pelas pessoas envolvidas.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, já arquivou um pedido de investigação contra o ministro Moraes. A decisão atendeu a um pedido do advogado Enio Murad. O episódio, no entanto, deixou o clima mais sensível em torno de todo o caso.

Mesmo com a postura reservada de Lula, integrantes da equipe econômica têm uma visão diferente. Eles avaliam que o tamanho das fraudes atribuídas ao Master exigiria uma posição mais firme. O prejuízo bilionário, na opinião desse grupo, pede uma resposta contundente das autoridades.

Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, adotou um tom intermediário. No dia da decretação da liquidação, ele se disse pronto para colaborar, mas evitou comentar a decisão diretamente. Haddad afirmou confiar na robustez do processo feito pelo Banco Central.

Para o ministro, o papel da Fazenda é lidar com as consequências da medida, não com a decisão em si. A declaração reforça a separação de funções entre a pasta econômica e o BC. É uma forma de apoiar a autarquia sem entrar no mérito técnico do caso.

A postura de Haddad reflete o equilíbrio necessário no governo. De um lado, há o apoio à autonomia do Banco Central. De outro, a necessidade de demonstrar seriedade no combate a irregularidades de grande impacto financeiro.

As investigações do caso seguem em andamento. A Polícia Federal ouviu nesta semana Daniel Vorcaro, controlador do Master, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O foco foi a tentativa frustrada de venda do banco.

Ailton de Aquino, diretor de fiscalização do BC, também prestou depoimento, embora não seja investigado. Sua fala é crucial para entender o processo de supervisão que levou à liquidação. A fase de oitivas agora segue para análise do STF.

O ministro Dias Toffoli determinará se haverá uma acareação entre as partes envolvidas. Esse seria um novo capítulo no processo, colocando frente a frente diferentes versões dos fatos. A decisão depende da análise das evidências já colhidas.

Tudo começou com a decretação da liquidação do Banco Master em 18 de novembro. A medida foi tomada após a apresentação de um plano de reestruturação considerado inviável pelo BC. O plano incluía a venda do banco para uma empresa obscura, a Fictor.

A Fictor era associada a supostos investidores dos Emirados Árabes, cujas identidades nunca foram confirmadas. A falta de transparência na operação acendeu o alerta das autoridades. Era um acordo que não inspirava confiança.

As investigações revelaram que, antes mesmo dessa venda, o Master forjou carteiras de crédito. Cerca de R$ 12,2 bilhões em empréstimos consignados foram negociados com o BRB usando contratos falsos e valores inflados. A fraude tinha escala monumental.

O escândalo levou à prisão de Daniel Vorcaro, que ficou doze dias detido. Atualmente, ele responde ao processo em liberdade, usando uma tornozeleira eletrônica. A medida visa garantir que ele não deixe o país e cumpra as obrigações judiciais.

A história do Banco Master serve como um alerta sobre os riscos no sistema financeiro. Mostra a importância de uma regulação atenta e independente. E reforça que operações opacas, em última análise, acabam sendo descobertas.

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