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Lula comanda reunião ministerial com auxiliares que vão deixar cargos

O governo federal começa uma semana decisiva para sua configuração neste último ano de mandato. O presidente Lula se reúne hoje com ministros que vão deixar os cargos para disputar as eleições e com seus futuros substitutos. A ideia é fazer um balanço da gestão e organizar a transição, garantindo que os projetos sigam em frente até 2026.

Pela regra eleitoral, quem quer concorrer a um cargo diferente do atual precisa sair do governo seis meses antes da votação. Como o primeiro turno será em outubro, o prazo final é sábado. Por isso, a movimentação agora é intensa. A expectativa é que pelo menos dezoito pastas tenham novos titulares nos próximos dias.

A reunião de hoje acontece no Palácio do Planalto e deve contar até com os ministros que permanecerão. O foco é a chamada "passagem de bastão". Para evitar turbulência, a tendência é que a maioria das substituições seja feita com os próprios secretários-executivos. São nomes que já conhecem a rotina e podem manter o ritmo das entregas.

Quem sai e quem fica

Em algumas áreas, a sucessão ainda não está totalmente definida. Um caso emblemático é o da Secretaria de Relações Institucionais, comandada por Gleisi Hoffmann. Ela deixa o cargo amanhã e sua substituição ainda é discutida. Inicialmente, cogitou-se promover o atual chefe do Conselhão, Olavo Noleto.

Contudo, nos últimos dias, o presidente avalia nomes com maior trânsito no Congresso. A função exige muita articulação política. Noleto segue na disputa, mas a busca é por um perfil que aceite o desafio nesta reta final de governo. A decisão deve ser anunciada ainda esta semana.

Outro que segue no ar é o ministro do Empreendedorismo, Márcio França. Ele é cotado para disputar o Senado por São Paulo ou até mesmo para ser vice na chapa de Fernando Haddad ao governo estadual. Paralelamente, seu nome também é mencionado como possível substituto de Geraldo Alckmin no Ministério do Desenvolvimento.

Alckmin, por sua vez, deixa o comando da pasta, mas segue como vice-presidente da República. A expectativa é que ele repita a dobradinha com Lula na próxima eleição, embora já tenha sido sugerida uma candidatura dele ao Senado. De qualquer forma, seu capital político em São Paulo será crucial na campanha.

Cenários em aberto

A indefinição também atinge outras pastas importantes. O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, ainda não decidiu se deixa o cargo para tentar uma vaga na Câmara por Pernambuco. Já o ministro da Educação, Camilo Santana, vai sair para atuar na campanha à reeleição do governador do Ceará.

Nos bastidores, contudo, o PT não descarta lançar o próprio Camilo ao governo do estado, dependendo das pesquisas. O presidente Lula já adiantou que o secretário-executivo da pasta, Leonardo Barchini, assumirá o comando de forma interina. A situação demonstra como a política eleitoral mexe com a estrutura do Executivo.

Em um gesto contrário, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, decidiu ficar. Cotado para o Senado por Minas Gerais, ele anunciou que não concorrerá a nenhum cargo este ano. Sua permanência é vista como importante em um momento sensível, com a alta nos preços dos combustíveis e a instabilidade geopolítica.

O que esperar da nova formação

A saída de tantos ministros de uma vez só pode parecer uma grande mudança, mas a intenção é de continuidade. A substituição por secretários-executivos ou por nomes da base aliada já familiarizados com as pastas visa justamente a isso: manter a máquina funcionando sem sobressaltos.

O objetivo do governo é assegurar que os programas e políticas públicas sigam seu curso normal. A reunião de hoje serve para alinhar expectativas e formalizar essa transição. É um processo comum em anos eleitorais, mas que sempre requer atenção para que os serviços à população não sejam afetados.

Com a nova formação ministerial, o Palácio do Planalto espera seguir os últimos dois anos de mandato com foco na execução orçamentária e nas metas restantes. A política seguirá aquecida, é claro, mas a administração pública precisa manter seu rumo. A semana define quem estará à frente dessa tarefa.

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