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Lula cita SUS e provoca Trump em visita de diretor-geral da OMS ao Rio

O presidente Lula recebeu o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde nesta terça-feira, no Rio de Janeiro. A visita teve um tom claro de demonstração. Lula quis mostrar ao mundo o funcionamento do Sistema Único de Saúde brasileiro. O recado, no entanto, tinha um destinatário específico além do convidado internacional.

Durante um tour pelo hospital federal do Andaraí, Lula fez um pedido direto a Tedros Adhanom. Ele sugeriu que o diretor da OMS relatasse ao presidente americano, Donald Trump, como o Brasil garante saúde universal. A fala foi uma referência direta aos recentes cortes de verbas dos Estados Unidos à organização. Lula defendeu que o acesso a tratamentos de qualidade não deve ser um privilégio de poucos.

O presidente usou sua própria experiência para ilustrar o ponto. Ele contou sobre as quinze sessões de radioterapia que fez para tratar um câncer de pele. A máquina utilizada, segundo ele, é a mesma disponível para qualquer cidadão pelo SUS. Lula enfatizou que a tecnologia aplicada em seu tratamento é idêntica à que um presidente americano ou chinês usaria. A saúde, na visão apresentada, é um direito fundamental, não um serviço comercial.

O contexto por trás do encontro

O diretor da OMS está no Brasil para uma conferência internacional sobre Aids. O evento reúne especialistas do mundo todo até a próxima sexta-feira. A agenda de Lula com Tedros, porém, ganhou contornos políticos imediatos. O momento é de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos. O governo americano impôs recentemente novas tarifas a produtos brasileiros.

Além disso, o Itamaraty negou visto a dois funcionários do Departamento de Estado que viriam ao país. Segundo publicações da imprensa internacional, a missão deles envolveria questionar a transparência das eleições brasileiras. Lula e aliados avaliam que há uma ofensiva de Trump para influenciar a disputa presidencial a favor de Flávio Bolsonaro. O filho do ex-presidente já foi recebido na Casa Branca.

A aproximação da família Bolsonaro com o governo Trump é monitorada de perto pelo Planalto. Outro movimento recente foi a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos. A medida é vista como um gesto que mobiliza a base política bolsonarista. Nesse cenário, o elogio ao SUS soa também como uma defesa de um modelo de Estado oposto ao defendido por seus adversários.

A revitalização dos hospitais federais

Durante o evento, Lula não poupou críticas à gestão anterior da saúde no Rio. Ele afirmou que os hospitais federais estavam completamente sucateados. Unidades de terapia intensiva e cozinhas não funcionavam mais. Até o estacionamento das unidades era administrado pela família Bolsonaro, segundo ele, com funcionários tendo que pagar para usar. A narrativa foi de abandono e de uso político dos equipamentos públicos.

O que está em curso agora, nas palavras do presidente, é uma verdadeira revolução na saúde pública. A meta é recuperar um patrimônio que é essencial para a população carioca. Lula lembrou a coragem do presidente Getúlio Vargas ao criar aquele hospital nas décadas de 1930 e 1940. Ele argumentou que ninguém tem o direito de destruir uma conquista histórica do povo brasileiro. A fala misturou orgulho do passado com um projeto futuro.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também participou da visita e fez uma entrega simbólica. Ele passou a Tedros Adhanom um relatório detalhado sobre a erradicação da transmissão de hepatite B entre mãe e bebê. O documento será avaliado pela OMS para uma possível certificação do Brasil. Esse é um passo burocrático, mas significativo, que atesta a qualidade de um programa nacional de saúde. A cerimônia, no fim, foi um misto de apresentação de resultados e de afirmação política.

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