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Lira compra jatinho de US$ 1 milhão em sociedade com empresário do agro

Arthur Lira, ex-presidente da Câmara, agora tem um jatinho particular. Ele comprou a aeronave em sociedade com um empresário do agronegócio, logo após deixar o comando da Casa em 2025. O valor pago foi de um milhão de dólares, algo em torno de 5,7 milhões de reais na época.

A compra foi feita por meio de uma empresa de sociedade anônima. Esse modelo mantém a identidade dos sócios em sigilo, sem divulgação pública. Lira e seu sócio confirmaram serem os donos da empresa, chamada ACZ Aviação.

Eles afirmam que a aquisição foi totalmente legal. Todos os impostos foram pagos e os registros feitos nos órgãos competentes. O modelo de posse escolhido foi o de cotas, para um uso compartilhado do avião.

A transação e o valor do avião

A empresa ACZ Aviação foi criada em fevereiro de 2025. Pouco depois, em abril do mesmo ano, ela comprou o jatinho. O preço chamou a atenção: cerca de metade do valor que a proprietária anterior havia pago pelo mesmo avião um ano antes.

A antiga dona, a holding Atrium Participações, justificou a venda com desconto. A empresa disse que precisava de reforço de caixa para custear suas atividades. Por sua vez, Lira explicou que o valor foi menor porque a aeronave precisava de manutenção e troca de peças.

A Atrium é controlada por dois irmãos que figuram na lista de jovens promissores da Forbes. Eles são donos de uma construtora de alto padrão em Brasília. A empresa emitiu uma nota afirmando não ter qualquer relação ou interação com o deputado.

As características e o uso da aeronave

O avião é um modelo Raytheon 400A, que pode carregar até oito passageiros. Ele atinge alta velocidade, ultrapassando os 800 km/h, e tem alcance para voar direto entre Brasília e Maceió. Nos anúncios do setor, aeronaves como essa custam entre 10 e 35 milhões de reais.

Cada viagem entre a capital federal e Alagoas custa caro. Só em combustível, a despesa é de aproximadamente onze mil reais. Isso sem contar taxas de aeroporto e o salário dos pilotos. Alugar um jato similar para um único deslocamento pode sair por 220 mil reais.

A rotina de voos foi descoberta porque Lira parou de emitir passagens de aviação comercial. A reportagem monitorou trajetos aéreos entre Brasília e Maceió em 2025. No ano passado, o jatinho fez 44 voos nesse trajeto, condizendo com a agenda do parlamentar.

A estrutura societária e os personagens envolvidos

A ACZ Aviação começou com um nome diferente e um capital social de apenas mil reais. Dois dias após a fundação, o capital foi ampliado para dez milhões e o nome foi alterado. A empresa também se tornou uma sociedade anônima, o que oculta os sócios.

A direção inicial ficou com uma advogada de confiança de Arthur Lira. Ela ocupou um cargo no Tribunal Superior Eleitoral por indicação do deputado. Após pouco mais de um mês, ela foi substituída pelo próprio sócio empresário, José Augusto.

O empresário é revendedor de máquinas agrícolas no Centro-Oeste. Sua empresa já recebeu mais de cem milhões em contratos com o governo federal. Cerca de quinze milhões vieram de emendas parlamentares, mas nenhuma destinada a Alagoas.

A justificativa para a aquisição

José Augusto afirmou que a compra foi para uso compartilhado e rateio de despesas. Segundo ele, essa prática é comum no setor de aviação executiva. Ele assumiu a administração por ter experiência com aeronaves, já sendo proprietário de outro avião.

Lira reforçou que a operação foi lícita e declarada à Receita. Ele classificou o sócio como um amigo pessoal, sem relação com sua vida pública. O deputado também é produtor rural e disse que o avião, com mais de vinte anos, cabe dentro de sua declaração de imposto.

Enquanto presidia a Câmara, Lira usava jatos da Força Aérea para viajar. Aliados argumentam que a exposição do cargo torna viagens comerciais incômodas. O risco de constrangimentos ou assédio em aeroportos seria um motivo para buscar um meio de transporte privado.

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