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Lira compra jatinho de US$ 1 milhão em sociedade com empresário do agro

Após deixar a presidência da Câmara, o deputado Arthur Lira decidiu compartilhar um jatinho particular. A aquisição foi feita em sociedade com um empresário do agronegócio, num investimento que chamou a atenção. O modelo escolhido é um Raytheon 400A, aeronave capaz de transportar até oito pessoas com conforto e velocidade.

O negócio foi realizado por uma empresa de capital fechado, formato que mantém os nomes dos donos em sigilo. Lira e seu sócio, no entanto, confirmaram a propriedade quando questionados. Eles explicaram que a compra seguiu todos os trâmites legais, com impostos devidamente pagos e registros em dia.

A justificativa para o investimento foi a praticidade nos deslocamentos entre Brasília e Maceió, cidade onde o deputado reside. O custo de cada trecho, somente com combustível, ultrapassa onze mil reais. Para voos comerciais, um avião similar pode ser alugado por cerca de duzentos e vinte mil reais por viagem.

A origem da aeronave e o negócio

A empresa que comprou o jato, a ACZ Aviação, foi criada em fevereiro de 2025. A constituição aconteceu pouco depois da saída de Lira do comando da Câmara. A sociedade foi fundada inicialmente por dois advogados especializados, que depois transferiram o controle para os atuais donos.

O jatinho foi adquirido da holding Atrium Participações por aproximadamente 5,7 milhões de reais. O valor representa menos da metade do preço pago pela antiga dona um ano antes. A Atrium afirmou que a venda se deu por necessidade de reforço de caixa para seus negócios.

Já a assessoria de Lira alegou que o preço mais baixo se deveu à necessidade de manutenção e troca de peças na aeronave. O parlamentar enfatizou que toda a transação foi declarada à Receita Federal e se enquadra dentro de sua declaração de imposto de renda.

A estrutura da sociedade e os voos

A gestão da empresa passou por mudanças rápidas. Primeiro, uma advogada de confiança de Lira foi nomeada diretora. Ela foi substituída, pouco mais de um mês depois, pelo próprio sócio empresário, José Augusto Araújo Sousa Junior.

O empresário é dono de uma revendedora de máquinas agrícolas no Centro-Oeste. Ele justificou sua administração por já ter experiência com aeronaves. A empresa dele, a Maqcampos, já possui outro jato para uso particular e teve contratos com o governo federal.

Em 2025, a aeronave de Lira realizou 44 voos entre Maceió e Brasília. A rotina foi descoberta porque o deputado parou de emitir passagens de voos comerciais, que dariam direito a reembolso. O rastreamento foi possível através de sistemas de monitoramento de tráfego aéreo.

Os sócios e a relação com o poder

O empresário José Augusto é apresentado por Lira como um amigo pessoal, sem relações com a vida pública. Ele afirmou que a sociedade para compartilhar um avião é uma prática comum no setor, com rateio de todas as despesas de forma regular.

A empresa do sócio, no entanto, já foi beneficiária de emendas parlamentares. Os contratos com o governo federal somam mais de cem milhões de reais, envolvendo pastas como Agricultura e Desenvolvimento Regional. Nenhuma das emendas, segundo ele, foi destinada a Alagoas.

Enquanto era presidente da Câmara, Lira utilizava jatos da Força Aérea Brasileira para suas viagens oficiais. Aliados do deputado argumentam que figuras públicas enfrentam constrangimentos em aeroportos, o que justificaria o uso de um avião particular para deslocamentos pessoais.

O avião e seus detalhes práticos

O Raytheon 400A é um jato executivo conhecido por sua velocidade. Ele pode ultrapassar os 800 quilômetros por hora e tem alcance para voar direto entre Brasília e Maceió. Sua cabine pressurizada oferece conforto para viagens de negócios.

Nos anúncios do mercado, modelos similares podem custar entre dez e trinta e cinco milhões de reais. A manutenção é um fator crucial no valor final, pois peças e revisões especializadas representam um custo operacional significativo para os proprietários.

Ter um avião próprio elimina a dependência de horários comerciais e permite pousar em aeroportos menores. Para um político com agenda cheia e base eleitoral em outro estado, a logística se torna um fator prático decisivo no dia a dia.

A transparência e as declarações

Lira afirma que não há nada ilegal ou escondido. Ele destaca que o avião tem mais de vinte anos e seu valor cabe dentro do patrimônio declarado. O deputado também é produtor rural e declara outros bens em seu nome.

A opção pela sociedade anônima é legal e oferece confidencialidade. Esse formato de empresa é frequentemente usado por pessoas públicas e empresários que desejam separar a gestão do patrimônio pessoal da exposição de seus negócios.

A questão central, portanto, não é a legalidade, mas a percepção. A transição do uso de aviões oficiais para um jato particular em sociedade com um empresário que tem contratos com o governo sempre gera curiosidade e pedidos por explicações detalhadas.

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