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Liquidante do Banco Master barra acordo e Rioprevidência corre risco de perder R$ 1,2 bilhão

O cenário financeiro do Rio de Janeiro enfrenta mais um capítulo delicado. Desta vez, o foco está no Rioprevidência, o fundo de previdência dos servidores estaduais. A instituição tenta recuperar um valor expressivo, próximo de R$ 1,2 bilhão, que havia aplicado no Banco Master.

Essa tentativa de resgate sofreu um revés importante recentemente. O administrador judicial nomeado para liquidar o Banco Master rejeitou a principal estratégia do fundo. A ideia era trocar os investimentos problemáticos por precatórios, que são dívidas de governos.

A justificativa foi técnica, porém com impacto direto. Em processos de liquidação, não é permitido beneficiar um único credor em detrimento dos outros. Com essa porta fechada, aumenta a pressão sobre as contas públicas para cobrir um possível rombo.

A fragilidade dos investimentos

O dinheiro do Rioprevidência foi aplicado em letras financeiras de longo prazo do Banco Master. Esse tipo específico de investimento não possui a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Ou seja, em caso de quebra do banco, não há uma rede de segurança automática para o valor.

Os vencimentos desses papéis só estão programados para 2033 e 2034. Isso significa que o recurso ficaria preso por uma década. Além desse montante, o Tribunal de Contas identificou outras aplicações suspeitas.

Foram mais R$ 1,5 bilhão direcionados a fundos administrados por corretoras ligadas a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Essas movimentações agora são alvo de investigações do próprio TCE e da Polícia Federal.

A negociação interrompida

As tratativas para uma saída começaram antes do pior. Em setembro do ano passado, ainda sob gestão original, o Banco Master sinalizou ter precatórios para fazer a troca. A operação parecia viável e poderia reduzir significativamente o prejuízo.

A situação mudou radicalmente em novembro, com a intervenção do Banco Central. A liquidação do banco e a nomeação de um interventor interromperam qualquer acordo em andamento. O controle passou para novas mãos, com outras prioridades.

Mesmo diante da incerteza, o Rioprevidência manteve publicamente que os aposentados não seriam afetados. Paralelamente, a autarquia buscou medidas judiciais para segurar valores de empréstimos consignados de empresas do grupo.

A responsabilidade final

Um parecer do Ministério da Previdência trouxe um esclarecimento crucial. Se os recursos do fundo se mostrarem insuficientes para honrar os pagamentos, o estado do Rio de Janeiro será obrigado a entrar com recursos extras. A obrigação de pagar os benefícios é, em última instância, do governo estadual.

Recentemente, o Rioprevidência também tentou resgatar R$ 250 milhões de um fundo específico, o Revolution. Esse fundo, porém, já era visto com desconfiança pelo Tribunal de Contas, que apontava indícios de irregularidade.

Em suas manifestações, a autarquia garante que o diálogo com o Banco Central continua. Afirma também que decisões judiciais recentes preservam o equilíbrio financeiro. O objetivo é evitar qualquer atraso no pagamento daqueles que já estão aposentados.

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