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Justiça nega pedido de insanidade mental de acusada de matar 5 filhos em MG

O julgamento de Gissele de Oliveira, acusada de matar cinco filhos em Minas Gerais, teve sua primeira audiência. A Justiça rejeitou um pedido da defesa para avaliar a saúde mental da mulher. O caso, que chocou o país, segue agora para novas etapas processuais.

Seis testemunhas de acusação foram ouvidas nesta fase inicial do processo. Uma nova audiência já está marcada para o começo de abril. Na ocasião, mais depoimentos serão colhidos e a própria acusada deve ser interrogada.

A defesa havia solicitado a abertura de um incidente de insanidade mental. Esse procedimento permite verificar a capacidade de entendimento do réu. Se comprovada alguma doença, o caso poderia tomar um rumo completamente diferente.

A alegação dos advogados citava um comportamento dissociativo em Gissele. Eles mencionaram fala desconexa e episódios persecutórios. Um histórico familiar de transtornos psiquiátricos também foi apresentado ao juízo.

A equipe de defesa pediu ainda à Justiça que solicitasse o prontuário médico da acusada. Alegaram não ter conseguido os documentos de forma espontânea. O objetivo era embasar o pedido de avaliação psiquiátrica com dados concretos.

A juíza Marina Souza Lopes Ventura Aricodemes, no entanto, rejeitou todos os pedidos. Ela considerou que não havia qualquer documento médico nos autos. A decisão destacou a falta de respaldo fático ou técnico mínimo para a pretensão.

A magistrada apontou que a defesa não provou ter feito tentativa formal junto ao setor de saúde. Também não demonstrou que houve recusa injustificada do poder público. Sem esses elementos, o pedido não poderia ser acolhido.

O caso veio à tona após a morte da última criança, em 2023. A tia da vítima revelou no hospital que era o quinto sobrinho intoxicado. Essa informação foi crucial para ligar os fatos e desencadear a investigação profunda.

As autópsias encontraram inseticidas e sedativos nos corpos das crianças. A polícia acredita que a mãe sedava os filhos para reduzir sua consciência. Em seguida, ela os asfixiava até a morte, conforme os laudos periciais.

As vítimas tinham idades entre dez meses e três anos. Inicialmente, as mortes foram atribuídas a causas naturais. A avó das crianças, mãe de Gissele, foi quem desconfiou e procurou as autoridades.

A linha do tempo construída pela polícia é extensa e perturbadora. Em 2008, houve a primeira suposta tentativa, com inseticida na mamadeira. A criança sobreviveu, mas o padrão começava a se desenhar.

Dois anos depois, em 2010, duas mortes ocorreram com apenas um mês de diferença. Uma das crianças, de dez meses, morreu intoxicada por um sedativo forte. A polícia investigou na época, mas não conseguiu apontar um culpado.

Os anos seguintes trouxeram mais tragédias. Duas mortes aconteceram em 2019, com poucos meses de intervalo. Na época, não houve registro formal de ocorrência, o que atrasou a investigação.

Em 2022, até o marido da suspeita deu entrada no hospital intoxicado. Ele apresentou os mesmos sintomas sonolentos e confusos das crianças. Esse evento, somado à última morte em 2023, fez o caso desabar.

Gissele foi presa em Portugal, onde vivia com um companheiro e um filho. Três das vítimas fatais também eram filhos desse homem. A prisão preventiva foi decretada, e ela aguarda julgamento no Brasil.

O caso expõe falhas graves no sistema de proteção à criança. Mortes repetidas na mesma família passaram despercebidas por anos. A investigação atual tenta agora reconstruir toda uma história de violência silenciosa.

A continuidade do julgamento em abril trará novos elementos. A expectativa é que o interrogatório de Gissele possa esclarecer motivações. A sociedade aguarda respostas para um crime de proporções tão devastadoras.

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