O Brasil investe uma fatia considerável do seu orçamento em segurança pública. Mas você já parou para pensar para onde vai exatamente esse dinheiro? Uma análise recente, baseada em dados oficiais, mostra que a maior parte desses recursos é consumida pela máquina do sistema de Justiça e pelo policiamento.
Juntos, esses dois setores absorveram 88% de tudo o que foi gasto com ordem pública no país em 2023. Em valores, foram mais de 300 bilhões de reais. A conta do Judiciário, que inclui tribunais, Ministério Público e Defensoria, sozinha, representou metade desse total.
Isso coloca o Brasil em uma posição de destaque, mas não necessariamente boa, no cenário internacional. Quando se olha apenas para os gastos com o sistema de Justiça, nosso país aparece em segundo lugar entre 33 nações, atrás apenas de El Salvador. É um percentual do PIB que chama a atenção e gera debates.
Para onde vai o dinheiro da segurança?
A divisão desse orçamento revela prioridades. Enquanto a Justiça consumiu 1,44% do PIB em 2023, o policiamento recebeu 1,08%. Embora seja a segunda maior despesa, nosso investimento em policiamento nos coloca apenas na 16ª posição da mesma lista internacional. Países como África do Sul e Azerbaijão gastam proporcionalmente mais.
Especialistas apontam que a estrutura de custos explica parte disso. No policiamento, a maior parte dos recursos vai para o pagamento de salários, tanto de servidores ativos quanto inativos. Já no sistema de Justiça, embora haja menos funcionários, os vencimentos são significativamente mais altos.
Além disso, existe uma disputa histórica pelo controle orçamentário do Judiciário. Essa dinâmica ajuda a entender por que os custos são tão elevados. A conta, no final, é paga pela sociedade, que espera por resultados efetivos em troca.
Os desafios por trás dos números
Mesmo com tanto investimento, os gastos brasileiros com segurança pública ainda não retornaram ao patamar anterior à pandemia. Em 2023, o país aplicou 2,87% do PIB na área, abaixo dos 3,12% registrados em 2019. A inflação e a valorização do dólar, que encarece equipamentos importados, são fatores que pesam.
No entanto, para analistas, o problema central vai além do volume de recursos. A falta de coordenação entre os entes federativos é um obstáculo crônico. Estados e municípios frequentemente atuam de forma desconexa, sem uma estratégia nacional unificada.
É como tentar apagar um incêndio com várias mangueiras desencontradas. O crime organizado atua de forma integrada em todo o território, enquanto o poder público responde de maneira fragmentada. Esse descompasso mina a eficácia de qualquer política.
Caminhos para uma gestão mais eficiente
Um dos caminhos apontados para melhorar esse cenário é a implementação de um sistema unificado, nos moldes do que propõe a PEC da Segurança. A ideia é criar diretrizes comuns e melhorar a coordenação entre União, estados e municípios, similar ao que acontece no sistema público de saúde.
Outro ponto crucial é a modernização da gestão por meio de dados. Ter informações padronizadas e centralizadas, como um registro nacional de crimes, permitiria medir resultados e direcionar recursos com mais precisão. Saber quais ações realmente funcionam é o primeiro passo para replicá-las.
Alguns também defendem uma revisão do modelo de policiamento. A separação rígida entre a polícia que patrulha e a que investiga pode ser um entrave. Em outros países, corporações com ciclo completo de atuação mostram mais eficiência. Pequenos ajustes na estrutura atual poderiam trazer ganhos significativos.
A busca por uma segurança pública mais eficaz passa, necessariamente, por uma análise crítica de como cada real é gasto. Transparência e coordenação são palavras-chave nesse processo. O desafio é imenso, mas entender a distribuição dos recursos é o ponto de partida para qualquer mudança real.
Somente com planejamento integrado e foco em resultados mensuráveis será possível transformar investimento em proteção efetiva para a população. O caminho é longo, mas começa com decisões claras sobre prioridades e gastos.
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