O cenário do crédito no Brasil segue um caminho difícil para o bolso do consumidor. Os juros médios cobrados de pessoas e empresas voltaram a subir em janeiro, mantendo uma tendência que já preocupa há meses. Para famílias, a taxa média chegou a 61% ao ano, um aumento significativo se olharmos para o acumulado do último ano.
Esse movimento reflete um mercado mais caro para quem precisa de empréstimos, financiamentos ou usa o cartão de crédito. O crédito pessoal, os financiamentos de veículos e até o consignado tiveram altas. Mas o grande destaque, e também o grande vilão, segue sendo o cartão de crédito. A taxa média do parcelamento da fatura subiu para quase 195% ao ano.
A situação é ainda mais crítica no chamado rotativo do cartão. Essa é aquela opção automática quando não se paga a fatura completa. Apesar de uma leve queda recente, os juros dessa modalidade permanecem em um patamar estratosférico, acima de 424% ao ano. É um custo altíssimo para quem precisa estender uma dívida que não conseguiu quitar no mês.
O impacto nos negócios e as modalidades de crédito
Para as empresas, a realidade também não é fácil. A taxa média de juros para companhias ficou em 25,2% ao ano, com aumento em janeiro. Modalidades importantes para o dia a dia dos negócios, como capital de giro de longo prazo e o cheque especial, ficaram mais caras. Esses números se referem ao crédito livre, onde os bancos têm liberdade para definir as taxas.
Existe, porém, outra linha de crédito com regras diferentes. O crédito direcionado tem suas taxas definidas pelo governo e é voltado para setores específicos, como habitação, agricultura e microcrédito. Nessas operações, os juros são bem menores. Para pessoas físicas, a média ficou em 11,2% ao ano, estável. Para empresas, ficou em 13%.
Essa divisão explica por que o custo pode variar tanto. Um financiamento habitacional tem juros muito diferentes de um empréstimo pessoal comum. A escolha da modalidade certa, quando disponível, faz toda a diferença no valor final a ser pago. Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no site Clevis Oliveira.
Por que os juros estão subindo?
Quando se olha para o crédito total, incluindo recursos livres e direcionados, a taxa média chegou a 32,8% ao ano. Esse movimento segue de perto a trajetória da taxa Selic, a taxa básica de juros da economia, mantida em 15% ao ano. A Selic é a ferramenta principal do Banco Central para tentar controlar a inflação.
A lógica é que, com juros mais altos, o crédito fica mais caro. Isso desestimula o consumo e os investimentos, ajudando a esfriar a economia e a frear a alta de preços. Atualmente, a Selic está no seu maior patamar em muitos anos. Além dela, outro componente pesa no bolso: o spread bancário.
O spread é a diferença entre o custo que o banco tem para captar dinheiro e o que ele cobra de você. Essa margem cobre impostos, custos operacionais, o risco de não receber e o lucro da instituição. Em janeiro, esse spread também aumentou, contribuindo para as taxas finais elevadas que vemos no mercado.
O volume de dívidas e a inadimplência
Apesar do custo mais alto, o volume de crédito concedido pelos bancos segue em expansão. Em janeiro, as concessões somaram mais de R$ 650 bilhões. O saldo total de empréstimos em circulação no país supera a marca de R$ 7 trilhões. Desse total, a maior parte, cerca de R$ 4,4 trilhões, está com as famílias.
Paralelamente, um sinal de alerta se acende: a inadimplência também está subindo. O percentual de dívidas com atraso superior a 90 dias chegou a 4,2% em janeiro. Entre as famílias, esse índice é ainda maior, atingindo 5,2%. Para as empresas, a taxa ficou em 2,6%. São números que mostram a pressão sobre o orçamento.
Os indicadores de endividamento confirmam essa pressão. No final do ano passado, as dívidas das famílias consumiam quase 50% de sua renda acumulada em doze meses. Se excluirmos os financiamentos de casa própria, o comprometimento da renda ainda era expressivo, ficando em 31,2%. Tudo sobre o Brasil e o mundo aqui, no site Clevis Oliveira.
A situação das famílias e o comprometimento da renda
O comprometimento de renda, que mede a parcela da renda mensal gasta com dívidas, também aumentou. Em dezembro, esse índice chegou a 29,2%. Isso significa que, de cada R$ 100 recebidos, quase R$ 30 já têm destino certo: pagar contas atrasadas ou parcelas de empréstimos e financiamentos. É um peso considerável no orçamento doméstico.
Vale lembrar que esses dados sobre endividamento e renda têm uma defasagem maior. O Banco Central os calcula com base em pesquisas como a Pnad, do IBGE. Eles refletem, portanto, uma fotografia de alguns meses atrás. Mesmo assim, são um termômetro essencial para entender a saúde financeira das famílias brasileiras.
O cenário atual exige cuidado redobrado com o orçamento. Comparar taxas, evitar o rotativo do cartão e buscar modalidades de crédito com juros mais baixos, como o consignado, são passos importantes. Em um momento de custo alto do dinheiro, o planejamento é a melhor ferramenta para não perder o controle das finanças.
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