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Julgamento de réus por morte de Bruno e Dom será em Manaus, decide Justiça

O julgamento dos dois homens acusados de matar Bruno Pereira e Dom Phillips, em 2022, não vai mais acontecer em Tabatinga, no Amazonas. A Justiça Federal decidiu transferir o caso para a capital, Manaus. O principal motivo foi garantir mais segurança e imparcialidade para todas as pessoas envolvidas no processo.

Para o Ministério Público Federal, realizar o júri em uma cidade menor como Tabatinga representava riscos reais. A possível influência de grupos criminosos locais poderia ameaçar jurados, testemunhas e até os próprios servidores da Justiça. A mudança busca criar um ambiente mais controlado para que o julgamento aconteça de forma justa.

Com a transferência, o processo agora está pronto para entrar na fase do júri, embora uma data ainda não tenha sido marcada. A medida também separa novamente os processos dos dois réus, o que, na visão dos procuradores, deve agilizar os trâmites legais. A expectativa é que o andamento em Manaus seja mais célere.

Os acusados e os crimes

Os réus são Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como "Pelado", e Jefferson da Silva Lima, o "Pelado da Dinha". Eles são acusados de homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáveres no caso que chocou o Brasil e o mundo. As investigações apontam que eles seriam os executores diretos dos assassinatos.

Amarildo tem uma ficha criminal extensa e é apontado pelas autoridades como membro de uma facção criminosa que atua na região. Essa periculosidade foi um dos argumentos centrais para a mudança do julgamento. Em um município de menor porte, a pressão sobre o sistema de Justiça poderia ser maior.

A defesa dos dois homens tentou, sem sucesso, anular o processo e incluir reportagens jornalísticas nos autos. A juíza responsável negou os pedidos, afirmando que não havia fundamento legal para anulação e que matérias da imprensa não têm valor como prova em um processo criminal.

A tragédia que uniu duas histórias

Bruno Pereira e Dom Phillips foram mortos no dia 5 de junho de 2022, na região do Vale do Javari, no Amazonas. Eles estavam em uma viagem de pesquisa para um livro que Dom planejava escrever. A perícia confirmou que as vítimas foram baleadas, esquartejadas e queimadas antes de serem enterradas.

Bruno era um experiente indigenista e ex-servidor da Funai, conhecido por seu trabalho na proteção de territórios indígenas contra invasores. Mesmo após deixar o cargo oficial, seguiu atuando como consultor para organizações locais. Ele deixou esposa e um filho pequeno.

Dom Phillips era um jornalista britânico que havia adotado o Brasil como casa há mais de 15 anos. Morava na Bahia com a esposa brasileira e, além do jornalismo, dedicava tempo a projetos sociais. A amizade com Bruno começou em 2018, durante uma reportagem, e foi fortalecida pela paixão comum em defender a Amazônia.

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