Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras identificou uma transação milionária que chamou a atenção. O grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, moveu quase 26 milhões de reais para uma empresa de advocacia. O pagamento único aconteceu em um curto período deste ano.
Acontece que, nesse mesmo intervalo, a empresa que recebeu o dinheiro comprou a participação da família do ministro Dias Toffoli em um resort. O empreendimento, chamado Tayayá, fica no Paraná. A venda das cotas foi formalizada em fevereiro, segundo registros comerciais.
O valor pago pela participação no resort, entretanto, foi bem diferente. A empresa do advogado Paulo Humberto Barbosa comprou as cotas da família Toffoli por 3,6 milhões de reais. A transação de 25,9 milhões da J&F para o escritório dele ocorreu no mesmo período, mas as partes negam qualquer ligação entre os dois negócios.
Os detalhes da operação financeira
O documento do Coaf aponta a transferência de R$ 25,9 milhões da J&F para a PHB Holding. A holding pertence ao advogado Paulo Humberto Barbosa. O relatório não informa a data exata, apenas que o movimento ocorreu entre fevereiro e outubro de 2025.
Barbosa tem histórico de atuação para a J&F e para os próprios irmãos Batista. Ele defendeu seus interesses em causas tributárias em Goiás. O advogado também é sócio em outras empresas com pessoas ligadas à família Batista, como um genro de um dos irmãos mais velhos.
A J&F afirma que o pagamento foi referente a honorários advocatícios. O grupo nega qualquer relação com a compra do resort Tayayá. A defesa do ministro Toffoli também afirma que a venda das cotas foi tratada apenas com a PHB, dentro do valor de mercado.
A venda da participação no resort
Em 21 de fevereiro de 2025, a PHB Holding adquiriu formalmente as cotas no Resort Tayayá. Elas pertenciam à Maridt, empresa controlada pela família do ministro Toffoli. O negócio envolveu duas empresas que administram o empreendimento de luxo.
O valor declarado na junta comercial para essa compra foi de R$ 3,6 milhões. O ministro já reconheceu publicamente ser sócio da Maridt. Ele defende que a transação foi realizada por um preço justo, compatível com a avaliação do mercado.
Anteriormente, a empresa da família Toffoli já havia vendido parte de suas cotas para um fundo ligado ao Banco Master. Essa venda aconteceu em 2021. Agora, em 2025, a família se desfez do restante de sua participação no negócio.
O contexto das investigações
A situação se torna mais complexa pelo fato de o ministro Toffoli ter atuado em processos envolvendo o Banco Master. Sua empresa foi sócia de um fundo ligado à teia financeira do banco. Em fevereiro, ele se afastou da relatoria dessas investigações no Supremo.
Investigadores da Polícia Federal apontam ter identificado transferências de 35 milhões de reais do grupo do banqueiro Daniel Vorcaro em benefício de Toffoli. O ministro nega irregularidades e afirma que todas suas movimentações são declaradas à Receita Federal.
O caso também envolve uma decisão anterior de Toffoli. Em 2023, ele suspendeu uma multa bilionária da J&F referente a um acordo de leniência. O relatório do Coaf agora mostra uma grande transação financeira da empresa para o advogado que comprou seus ativos.
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