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Jeffrey Epstein se descreveu como “predador sexual de categoria um”

Os documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein continuam a ser divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Na última sexta-feira, milhões de páginas, imagens e vídeos foram tornados públicos. Esse material traz novos detalhes sobre a vida e os crimes do financista, incluindo uma entrevista inédita e bastante reveladora.

Nessa gravação, cuja data não foi informada, Epstein faz uma afirmação chocante sobre si mesmo. Ele é questionado diretamente se seria um predador sexual de categoria três. A resposta do milionário é curta e direta, sem rodeios ou tentativas de amenizar seus atos. Ele próprio se classifica na pior categoria possível para um criminoso desse tipo.

A classificação usada na pergunta não é um termo técnico oficial, mas a intenção do entrevistador é clara. Ele busca entender a dimensão dos crimes de Epstein. Ao se definir como “categoria um” e “o mais baixo”, o próprio acusado parece reconhecer a gravidade extrema de suas ações. Essa admissão, vinda da fonte principal, é um dado significativo para o caso.

Há fortes indícios de que o homem fazendo as perguntas na entrevista seja Steve Bannon. Ele foi um importante assessor do ex-presidente Donald Trump. A conversa entre os dois é tensa e vai além da questão inicial sobre a classificação como predador. Em outro momento, o tom da discussão se torna ainda mais pesado e filosófico.

O entrevistador pergunta a Epstein se ele seria “o próprio diabo”. A pergunta, feita de forma séria, busca uma definição moral sobre o caráter do financista. A resposta de Epstein é evasiva e um tanto enigmática. Ele nega ser o diabo, mas faz um comentário curioso sobre ter um “bom espelho”, antes de a gravação ser interrompida.

Quando a conversa retorna, Epstein parece desconfortável. Ele diz não saber por que alguém faria aquela comparação e admite que “o diabo me assusta”. Esse trecho revela um lado mais vulnerável do homem conhecido por sua arrogância. A riqueza e o poder não foram capazes de blindá-lo completamente de questionamentos morais tão diretos.

A origem da fortuna de Epstein também é um ponto central da entrevista. Questionado se seu dinheiro poderia ser considerado “sujo”, ele responde de forma categórica. Ele não apenas nega a classificação, como afirma que mereceu cada centavo. Essa defesa mostra como ele construiu uma autoimagem de empreendedor bem-sucedido, apesar das acusações.

O entrevistador rebate afirmando que ele enriqueceu aconselhando “as piores pessoas do mundo”. A crítica é clara: a riqueza veio de associações moralmente questionáveis. Epstein, porém, defende suas ações com um argumento sobre a complexidade da ética. Ele tenta equilibrar a balança mencionando doações para causas como a erradicação da pólio.

Para ilustrar seu ponto, o financista propõe um cenário hipotético envolvendo um hospital. Ele questiona quantas pessoas pobres recusariam dinheiro para seus filhos, mesmo sabendo que veio de um criminoso. A conclusão de Epstein é de que ninguém recusaria. Esse raciocínio tenta justificar seus atos pela suposta utilidade final do dinheiro, independente de sua origem.

Os novos documentos divulgados vão muito além dessa entrevista específica. Eles incluem um relatório psicológico de quando Epstein estava preso e registros sobre as circunstâncias de sua morte. Também há informações sobre investigações envolvendo Ghislaine Maxwell, sua cúmplice condenada por tráfico sexual de menores.

Uma parte significativa do material são e-mails trocados por Epstein com diversas figuras públicas. A lista inclui nomes norte-americanos e internacionais, entre eles o então presidente Donald Trump. A maioria das mensagens tem mais de uma década, mas elas mapeiam a extensa rede de relacionamentos que o financista cultivou ao longo dos anos.

Jeffrey Epstein foi preso em julho de 2019, acusado de tráfico sexual. Cerca de um mês depois, ele foi encontrado morto em sua cela. A conclusão oficial da autópsia foi suicídio. A divulgação contínua desses arquivos mantém o caso vivo no debate público, levantando novas questões e reacendendo discussões sobre poder, justiça e impunidade.

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