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Investigação na Receita amplia desconfiança entre STF e setores do governo Lula

O clima no centro do poder brasileiro está mais tenso. Uma investigação do Supremo Tribunal Federal sobre servidores da Receita Federal abriu um novo front de desconfiança. De um lado, ministros da corte se sentem alvos. Do outro, fiscais temem carregar a culpa sozinhos por um problema maior.

Tudo começou quando o ministro Alexandre de Moraes mandou rastrear acessos a dados fiscais. A lista incluía cerca de 140 nomes, com parentes de ministros do Supremo. A ordem revelou uma suspeita grave: informações sigilosas teriam sido coletadas de forma irregular.

Esses dados poderiam ter vazado para investigações da Polícia Federal. O sistema da Receita identificou acessos ilícitos, seguidos de vazamento. Ministros desconfiam que auditores repassaram informações sem autorização judicial. O procedimento irregular, se confirmado, pode manchar todo o processo.

As suspeitas que pairam no ar

As suspeitas não recaem diretamente sobre o presidente Lula ou sua cúpula. O foco está em servidores do Fisco que podem ter agido por conta própria. A quebra de sigilo, no entanto, cria um terreno perigoso. Ela pode ser usada para questionar a legalidade de outras investigações em andamento.

Para aliados do governo, culpar a Receita seria uma manobra. O objetivo seria desqualificar provas que ligam figuras do Judiciário ao escândalo do Banco Master. O caso envolve fraudes bilionárias e nomes poderosos. Qualquer ruído nas provas pode mudar completamente o rumo das apurações.

O governo, portanto, age com extrema cautela. Auxiliares presidenciais recomendam blindagem. A ideia é evitar que o Planalto seja atingido pelos estilhaços dessa briga. A disputa agora envolve o Supremo, a Polícia Federal e a Receita. É um campo minado para a política.

A reação e os riscos institucionais

Na semana passada, a Polícia Federal cumpriu mandados contra quatro servidores do Fisco. O rastreamento interno da Receita confirmou a quebra de sigilo. Há fortes indícios de que os dados de autoridades foram repassados a terceiros. A situação expõe uma falha grave de segurança.

Integrantes do governo petista acreditam que a Receita está na mira do Supremo. Emissários tentam acalmar os ânimos junto aos ministros. A mensagem é clara: não há qualquer tentativa de interferência do Planalto nos trabalhos. O apoio declarado é às instituições, não a ações específicas.

Os ministros mais incomodados são Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. A eles, o governo argumenta que a cúpula da Receita não tem participação nos ilícitos. O acesso ilegal é totalmente rastreável pelos sistemas do órgão, como de fato ocorreu. A falha foi individual, não institucional.

O foco que não pode se perder

Os vazamentos são graves e precisam ser apurados. Mas, na avaliação de um ministro de Lula, eles não tornam a Receita responsável pelo caso Master. O risco é esse incidente desviar a atenção do cerne do escândalo. O prejuízo causado pelo dono do Master, Daniel Vorcaro, é colossal.

Estima-se que as fraudes custem mais de 55 bilhões de reais ao sistema bancário. O rombo no BRB, banco público de Brasília, terá que ser coberto com dinheiro do contribuinte. Gastar energia em brigas entre instituições só ajuda os verdadeiros responsáveis pela crise.

A mudança no ministro relator do caso no STF sinaliza esse cuidado. O processo saiu de Dias Toffoli e foi para André Mendonça. A troca é vista como um movimento para demarcar afastamento. O objetivo final segue sendo apurar os malfeitos e buscar justiça, sem ruídos que atrapalhem.

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