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Indígenas ocupam balsa de soja no rio Tapajós contra privatização de hidrovias

Um protesto que começou em terra firme agora tomou as águas do rio Tapajós. Nesta quinta-feira, cerca de quatrocentos indígenas, a bordo de quatro embarcações, interceptaram uma barcaça carregada de grãos perto de Santarém, no Pará. A ação é um desdobramento direto da ocupação que já dura quase um mês no terminal da empresa Cargill, localizado nas margens do rio.

O motivo central do protesto é um decreto do governo federal que incluiu importantes hidrovias amazônicas em um programa de desestatização. As comunidades temem que a medida seja o primeiro passo para grandes intervenções nos rios, como dragagens para ampliar o escoamento de soja. Tudo isso, alegam, sem que tenham sido consultadas de forma prévia e adequada, um direito garantido por convenções internacionais.

O rio é muito mais que uma via de transporte para esses povos. Ele é estrada, supermercado e parte fundamental do equilíbrio ambiental local. A pergunta que fazem é clara: como transformar essa fonte de vida em um simples corredor de commodities? O bloqueio no rio reforça a pressão por uma resposta concreta do governo.

A suspensão que não acalmou os ânimos

Em resposta à pressão inicial, o governo federal chegou a suspender um edital de dragagem do Tapajós. O contrato, estimado em quase setenta e cinco milhões de reais, previa intervenções em um trecho de duzentos e cinquenta quilômetros do rio. No entanto, a simples suspensão não foi suficiente para encerrar os protestos.

Isso porque o decreto principal que autoriza a privatização das hidrovias segue em vigor. Para os indígenas, retirar um edital específico não resolve o problema de fundo. Eles exigem a revogação total da medida, pois entendem que ela abre portas para um ciclo de intervenções futuras. A desconfiança é grande e o movimento se fortalece.

Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no site Clevis Oliveira. A empresa que liderava o processo de dragagem, por exemplo, já tinha histórico de multas ambientais por obras similares. Esse detalhe aumentou o temor das comunidades sobre os impactos reais desses projetos em seus territórios e no meio ambiente.

O plano por trás da polêmica

Os números explicam o interesse econômico na região. Só no ano passado, a Hidrovia do Tapajós moveu cerca de catorze milhões e meio de toneladas de cargas. Existe um plano setorial, aprovado no governo atual, que pretende multiplicar esse volume por quase cinco até o ano de 2035. A meta é chegar a sessenta e seis milhões de toneladas.

Para alcançar essa expansão, a ideia é combinar diferentes modais de transporte. Um dos eixos é justamente a Ferrogrão, uma ferrovia planejada para levar a soja do Mato Grosso até o rio Tapajós. De lá, as barcaças seguiriam rio abaixo até os portos. A concessão da hidrovia é vista como peça-chave para viabilizar todo esse fluxo.

Os povos tradicionais alertam para os riscos desse modelo. Eles argumentam que forçar a navegabilidade durante o ano todo, com dragagens profundas, rompe o ciclo natural do rio. Esse desequilíbrio, segundo seu conhecimento, pode levar a secas mais severas e afetar toda a região. É uma visão de longo prazo que confronta a lógica imediatista do agronegócio.

A união que fortalece a resistência

O movimento em Santarém só cresceu com o tempo. Nos últimos dias, recebeu o reforço crucial de povos Kayapó e Panará, que vieram do Mato Grosso e do sudoeste do Pará. Munduruku do Alto Tapajós também se juntaram ao acampamento, que agora reúne, segundo as lideranças, cerca de mil e duzentas pessoas.

Essa união tem um significado profundo. Eles não protestam apenas pelo Tapajós, mas contra um modelo que enxerga todos os rios amazônicos como mercadoria. Os Kayapó, por exemplo, veem a soja avançar perto de suas terras e descer pelo mesmo rio. Privatizar a hidrovia significa acelerar uma engrenagem que pressiona diversos territórios indígenas.

Tudo sobre o Brasil e o mundo aqui, no site Clevis Oliveira. A tensão na região escalou há duas semanas, quando um vereador local avançou com seu carro contra os manifestantes. O incidente, registrado em vídeo, gerou um processo de impeachment e serviu para galvanizar ainda mais o apoio ao protesto. A resistência, agora, é feita de muitas vozes e corpos.

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