Novos documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein revelam uma conexão mais profunda com o Brasil do que se imaginava. O material, divulgado pelo Departamento de Justiça americano, contém milhões de páginas, vídeos e imagens. Entre eles, surgem pistas que apontam para atividades do financiador em território brasileiro. As informações sugerem que ele não apenas visitou o país, mas também manteve uma rede de contatos aqui. Essa teia de relações parece ter facilitado encontros com menores de idade. O volume de dados é tão vasto que especialistas acreditam haver muito mais a ser descoberto.
Em um dos registros fotográficos, uma estante na ilha particular de Epstein, Little St. James, guarda pastas de arquivos. Uma dessas pastas chama a atenção imediatamente. Nela, um adesivo traz claramente a palavra “Brazil”. Esse não é o único destino internacional identificado, mas sua presença é significativa. O fichário ao lado menciona locais como Saint Barths, no Caribe, e um château na França. A imagem concreta desse arquivo físico transforma rumores em evidência palpável. Ela corrobora a tese de que o Brasil era um ponto de interesse ativo na operação criminosa de Epstein.
A trama ganha contornos ainda mais pessoais e perturbadores em outro documento. Trata-se de uma espécie de álbum ou fotonovela artesanal, datada de cerca de 2007. Nele, uma jovem narra, com colagens e textos manuscritos, uma viagem ao lado de Epstein. A identidade da garota é preservada, mas sua história é contada em primeira pessoa. Ela descreve o início da relação como uma “pequena menina sem noção”. As páginas mostram um progresso íntimo e desconcertante na dinâmica entre eles.
Em um trecho, o rosto de Epstein é colado ao lado de uma mensagem natalina escrita pela garota: “eu serei o primeiro”. Em outro momento, ela detalha como “cuidava” dele, aplicando cremes em seu rosto. A narrativa infantilizada, com desenhos de biscoito e leite, contrasta brutalmente com o contexto adulto dos luxuosos destinos. A jovem lista os lugares que visitaram: Dubai, Praga, Saint Barths e, novamente, o Brasil. Esse relato íntimo é uma peça crucial. Ele não só confirma a viagem, mas também expõe a natureza manipuladora do relacionamento.
A operação de Epstein no Brasil parece ter sido mais do que esporádica. Uma recente investigação da BBC Brasil analisou os documentos e encontrou cerca de quatro mil menções ao país. Os arquivos citam a existência de uma “agente” local, responsável por facilitar o acesso a garotas menores quando Epstein estava por aqui. Essa pessoa atuaria como um ponto de conexão fundamental na rede. Em pelo menos uma ocasião, quatro jovens brasileiras, incluindo adolescentes, foram levadas a uma festa em uma das propriedades dele nos Estados Unidos.
Os planos de Epstein para o Brasil iam além de visitas ocasionais. E-mails revelam discussões sobre a criação de um concurso de beleza no país, uma estratégia clara para atrair garotas jovens. Havia também interesse em adquirir uma revista de moda brasileira, possivelmente com o mesmo objetivo: recrutar modelos. Uma das vítimas do caso chegou a afirmar que pelo menos cinquenta brasileiras passaram pela mansão de Epstein. Esses detalhes pintam o quadro de uma operação metódica e com ambições de longo prazo no território nacional.
A divulgação contínua de documentos promete manter o caso vivo e gerar novas revelações. Cada novo arquivo ou imagem pode conter pistas sobre a extensão completa das atividades de Epstein. Para o Brasil, as implicações são sérias e exigem atenção. As investigações locais podem encontrar nesse material caminhos importantes a seguir. A sensação é que ainda estamos vendo apenas a ponta de um iceberg muito maior. Informações inacreditáveis como estas reforçam a complexidade de um caso que atravessou fronteiras e explorou vidas em múltiplos países.
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