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Ida de Bolsonaro a Papudinha gera ataques entres aliados de Michelle, Flávio e Tarcísio

A transferência de Jair Bolsonaro para a Papudinha, em Brasília, virou notícia nesta sexta-feira. Mas o episódio revelou muito mais do que uma simples mudança de endereço. Ele escancarou uma divisão importante entre os apoiadores do ex-presidente, especialmente quando o assunto são as eleições deste ano.

O clima ficou ainda mais tenso com um embate público entre estrategistas próximos a Flávio Bolsonaro e ao governador Tarcísio de Freitas. O fato é que a política nunca para, mesmo quando as atenções deveriam estar voltadas para questões judiciais. A movimentação dos bastidores segue a todo vapor, mostrando que as peças no tabuleiro político continuam sendo movidas.

O ex-presidente deixou a sala na sede da Polícia Federal por uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A alegação da família era de que o local não atendia adequadamente às suas necessidades médicas. A ordem de transferência saiu na quinta-feira, após um encontro do ministro com Michelle Bolsonaro.

A articulação nos bastidores

Houve relatos de que o governador Tarcísio de Freitas também procurou ministros da corte para tratar do assunto. Em entrevista nesta sexta, em Cubatão, o governador confirmou que fez contatos sobre o tema desde o final do ano passado. Ele deixou claro qual era seu objetivo principal com essa movimentação.

"Nosso interesse, nosso pedido, era para que Bolsonaro possa ir para a prisão domiciliar", afirmou Tarcísio. Nem ele e nem Michelle comemoraram efusivamente a decisão da transferência. Ambos destacaram, em momentos distintos, que a solução ideal ainda seria a prisão domiciliar.

Outros aliados, no entanto, foram diretos nos elogios à dupla. O pastor Silas Malafaia, por exemplo, escreveu em suas redes sociais "parabéns a Michelle e Tarcísio". Ele afirmou que souberam articular para levar Bolsonaro para um local melhor, lembrando que certas vitórias são conquistadas por etapas.

As tensões da sucessão

O ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngarten também usou as redes para fazer um elogio público. "A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas estão se mostrando gigantes na defesa da saúde do presidente Jair Bolsonaro", escreveu. Segundo ele, cada um ao seu modo, têm lutado incansavelmente pela prisão domiciliar.

Nos bastidores, porém, a conversa é outra. Parte dos aliados, especialmente de partidos de direita e do centrão, ainda espera que Flávio Bolsonaro desista de uma eventual candidatura presidencial. A ideia é abrir espaço para Tarcísio, visto como um nome com menos rejeição e com chances reais de vencer o atual presidente Lula.

Tarcísio tem declarado publicamente que buscará a reeleição ao governo de São Paulo. Mesmo assim, integrantes do clã Bolsonaro ficaram incomodados com a divulgação do papel do governador na mudança de custódia. Eles acreditam que a notícia teve o objetivo claro de creditar o mérito da decisão a Tarcísio.

O jogo de forças familiar

Carlos Bolsonaro, também por meio de redes sociais, fez uma declaração que foi interpretada como uma crítica indireta ao governador. "Tenho convicção absoluta, diante dos fatos mais recentes, de que o objetivo jamais foi medir forças com os filhos de Jair Bolsonaro", disse. Para ele, a superfície do jogo esconde um intento maior.

"O verdadeiro intento, ainda que de forma dissimulada, é medir forças com o próprio Jair Bolsonaro", completou o ex-vereador. Wajngarten, ao fazer seu elogio a Tarcísio, também acabou entrando na defesa do governador de forma indireta. Ele buscou afastar qualquer interpretação de que haveria um jogo político por trás dos esforços.

"Ao contrário de algumas ilações, tudo isso tem como único objetivo salvar a vida do presidente. Agradeço publicamente aos dois porque precisamos do maior líder que o Brasil já teve com saúde e livre", escreveu o ex-secretário. A mensagem, no entanto, não parou por aí e ganhou um complemento mais ácido.

Críticas e respostas rápidas

Wajngarten ainda disparou: "Quanto aos parasitas já derrotados em eleições recentes, melhor procurarem outras agendas". A frase foi uma clara indireta ao empresário Filipe Sabará, ex-coordenador de campanha de Pablo Marçal. Sabará tem promovido reuniões tratando a candidatura de Flávio Bolsonaro como irreversível.

O empresário tenta consolidar o senador como candidato, mas tem atraído críticas de grupos que apoiam Tarcísio e até de bolsonaristas que não o aceitam. Seu passado como secretário de João Doria na prefeitura de São Paulo pesa nessa rejeição. A resposta de Sabará à indireta de Wajngarten não demorou a chegar.

Embora não tenha sido citado nominalmente, ele divulgou uma nota rebatendo o ex-secretário. "De um lado, uma carta, escrita a próprio punho por Jair Bolsonaro, maior líder da direita, contendo uma missão ao seu filho mais velho", dizia o texto. Do outro lado, ele descreveu uma "forçação de barra" por grupos de interesse.

A guerra das narrativas

Segundo Sabará, esses grupos usam a luta legítima de uma esposa pelo marido para seus próprios fins. "Grupo que vem plantando notas e pesquisas e usando o governador Tarcísio como manobra, para tentarem minar a candidatura que já se mostrou a mais forte e viável contra Lula", afirmou. Ele confirmou à reportagem que a nota era dirigida a Wajngarten.

A mudança de prisão ocorreu logo após Tarcísio publicar um vídeo criticando a condução da política econômica do país. Na publicação, a mulher do governador, Cristiane, comentou que o Brasil precisa "de um novo CEO, meu marido". Michelle Bolsonaro curtiu a mensagem, um gesto que não passou despercebido.

Os filhos de Bolsonaro criticaram Tarcísio e sua esposa pela declaração. Ainda na quinta-feira, o governador foi questionado diretamente sobre os ataques a Cristiane. Ele preferiu não responder, mantendo o foco em sua agenda oficial e evitando alimentar ainda mais a polêmica que cerca seus possíveis planos futuros.

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