O Ibovespa fechou a última sexta-feira em queda, marcando o fim de uma semana que interrompeu uma sequência de ganhos. O principal índice da bolsa brasileira caiu 1,16%, somando uma perda semanal de quase 1%. Apesar do tom negativo recente, é bom lembrar que fevereiro ainda terminou no azul, com alta de mais de 4%. O último mês com saldo negativo tinha sido julho do ano passado, o que mostra como a trajetória recente vinha sendo positiva.
A principal razão para o mau humor dos investidores veio de casa: a prévia da inflação. O IPCA-15 de fevereiro subiu 0,84%, um número que pegou todo mundo de surpresa. Foi a maior surpresa para o mês em mais de vinte anos. Esse dado acendeu um sinal de alerta sobre a velocidade com que os preços vão cair daqui para frente. Com a notícia, os juros futuros subiram e o real também sentiu a pressão, fechando próximo de R$ 5,13.
Aqui dentro, a temporada de divulgação dos resultados das empresas também seguiu movimentando o mercado. A B3, a bolsa brasileira, reportou um lucro mais de 20% maior. Mesmo assim, suas ações caíram levemente. Caso parecido aconteceu com a Axia Energia, que teve um lucro bilionário, mas viu seus papéis recuarem. Analistas observaram que parte desse resultado veio de ganhos pontuais, não necessariamente repetíveis.
O que moveu os papéis
Olhando para as grandes empresas, o dia foi de perdas generalizadas. A Vale e a Petrobras fecharam em queda, mesmo com o preço do petróleo subindo no mercado internacional. O setor bancário também teve um dia difícil, com uma exceção: o Bradesco, que conseguiu uma pequena alta. O movimento refletiu um cenário de realização de lucros, onde investidores aproveitam ganhos acumulados após dois meses muito fortes.
No campo político, um tema antigo voltou aos holofotes. O vice-presidente Geraldo Alckmin comentou que o Senado deve votar em breve o acordo entre Mercosul e União Europeia. As negociações seguem avançando no bloco europeu, mas ainda enfrentam resistências, especialmente da França. Esse tipo de notícia gera expectativa sobre o futuro do comércio exterior do Brasil.
O resultado do dia foi uma combinação de fatores domésticos e externos. A surpresa com a inflação criou cautela, enquanto o cenário internacional não ajudou. Esse mix fez com que muitos optassem por tirar um pouco do dinheiro da mesa, buscando proteger os ganhos que já haviam conquistado. É uma movimentação natural em momentos de incerteza.
O cenário além das nossas fronteiras
Lá fora, o clima também não estava dos melhores. As bolsas dos Estados Unidos caíram após a divulgação de um índice de preços ao produtor acima do esperado. Esse dado reacendeu dúvidas sobre os próximos passos do banco central americano. Tensões geopolíticas e um setor de tecnologia volátil contribuíram para o tom de aversão ao risco.
Os principais índices americanos fecharam no vermelho. O Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq tiveram quedas tanto no dia quanto na semana. O mês de fevereiro foi praticamente estável para o Dow, mas negativo para o Nasdaq, que recuou mais de 3%. Enquanto isso, ativos como o petróleo tiveram alta expressiva, e o Bitcoin continuou sua fase de perdas.
Na Europa, a história foi similar, com os principais mercados também recuando. O ambiente global de cautela com a inflação e os juros pesou sobre os investidores. Esse contexto externo desfavorável encontrou um terreno fértil no Brasil, onde os agentes econômicos já estavam digerindo uma notícia inflacionária desagradável. A combinação dos dois fatores definiu o ritmo da sessão.
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