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Ibovespa avança 0,27% em pregão de baixa liquidez

O mercado financeiro começou a última sexta-feira do ano com poucos movimentos bruscos. A confirmação de Jair Bolsonaro sobre a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, seu filho, chegou em um pregão de baixa liquidez, no feriado prolongado de Natal. O anúncio, feito em um ambiente já bastante esvaziado de investidores, pareceu não surpreender quem acompanha os ativos brasileiros.

O Ibovespa até chegou a operar em queda logo após a notícia circular, mas recuperou o fôlego ao longo do dia. O índice principal da bolsa brasileira fechou com um discreto avanço de 0,27%, aos 160.896 pontos. O dólar, por sua vez, subiu modestamente 0,25%, sendo negociado a R$ 5,5451 ao final do pregão.

A reação modesta desta sexta-feira contrasta com o terremoto visto há cerca de vinte dias. Na ocasião, quando Flávio Bolsonaro afirmou pela primeira vez ser o escolhido pelo pai, os mercados entraram em pânico. O Ibovespa teve sua maior queda em cinco anos, enquanto o dólar e as taxas de juros dispararam. Agora, a sensação é de que os investidores já haviam precificado boa parte desse cenário.

O impacto político nos investimentos

Para muitos analistas, o anúncio consolida uma movimentação que já era esperada. A candidatura de Flávio Bolsonaro é vista como um fator que pode limitar o espaço político de outros nomes à direita. Em especial, reduz as chances de uma candidatura mais concorrida do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que é considerado o preferido do mercado financeiro da Faria Lima.

Avalia-se que Tarcísio teria um apelo eleitoral mais amplo e seria um adversário mais competitivo para o presidente Lula em 2026. Com Flávio no páreo, essa dinâmica pode mudar. O mercado, no entanto, ainda observa se a postulação é definitiva ou apenas uma manobra para testar a força política da família em um momento delicado.

O cenário político, contudo, é apenas uma das peças do quebra-cabeça. Enquanto isso, a economia real segue apresentando seus próprios desafios. O Banco Central divulgou na mesma sexta-feira seu relatório de crédito, mostrando um endividamento crescente das famílias. O custo para tomar empréstimos também está em níveis recordes, o que naturalmente desestimula novas contratações.

A situação do crédito e o cenário externo

Os dados do BC são bastante concretos e afetam o dia a dia de milhões de pessoas. A taxa média de juros para empréstimos com recursos livres subiu para 46,7% ao ano em novembro. Esse é o maior patamar desde abril de 2017. Quando o custo do dinheiro atinge esses níveis, o consumo e os investimentos das famílias tendem a ficar paralisados.

Esse aperto no crédito é um contraponto importante ao humor do mercado de capitais. Enquanto a bolsa pode reagir com relativa calma a notícias políticas, a vida financeira do brasileiro comum está ficando mais difícil. É um lembrete de que os indicadores macroeconômicos, por vezes abstratos, têm um impacto direto e profundo no orçamento doméstico.

No cenário internacional, o dia também foi de poucas emoções. As bolsas de Nova York fecharam praticamente estáveis, com um viés ligeiramente negativo. A liquidez reduzida do período festivo permitiu uma discreta realização de lucros, após uma sequência de recordes históricos. O setor de mineração foi um dos poucos destaques, puxado pela alta nos preços dos metais.

O comportamento dos mercados internacionais

O Dow Jones encerrou o dia com uma queda quase imperceptível de 0,04%. O S&P 500 recuou 0,03% e o Nasdaq cedeu 0,09. Apesar do desempenho morno na sessão, os três principais índices norte-americanos acumularam ganhos expressivos ao longo da semana, variando entre 1,20% e 1,40%. Isso mostra que o sentimento geral no exterior ainda é de otimismo, ainda que com pausas para ajustes.

Esse ambiente externo favorável acaba servindo como um amortecedor para eventuais turbulências locais. Quando Wall Street está em alta, há uma tendência de capital buscar oportunidades em mercados emergentes, como o brasileiro. Isso pode explicar, em parte, a resiliência do Ibovespa mesmo diante de notícias que, em outro contexto, poderiam causar maior volatilidade.

No fim das contas, o último pregão útil de 2023 resumiu bem o espírito do período: um misto de espera e avaliação cautelosa. Os investidores digeriram a novidade política sem grandes sobressaltos, mas mantêm os olhos abertos para os desdobramentos em 2024. A economia, por sua vez, segue seu curso, com os juros altos apertando o cerco sobre o crédito e o consumo das famílias.

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