O governador Ibaneis Rocha deixou o cargo neste sábado, um ano após um grande escândalo financeiro abalar sua gestão. Ele renunciou para concorrer a uma vaga no Senado, mas seu caminho até as eleições parece cheio de obstáculos. A crise no BRB, banco controlado pelo governo local, e as incertezas políticas formam um cenário complicado para sua campanha.
A cerimônia de despedida ocorreu durante as comemorações do aniversário de Ceilândia. Ibaneis, que foi reeleito com folga em 2022, encerra seu mandato antes do previsto em meio a investigações sérias. O futuro do banco público ainda é uma grande incógnita, com prejuízos bilionários e a divulgação de seus resultados atrasada.
Em um jantar com aliados nesta semana, o agora ex-governador demonstrou confiança pública. Ele afirmou estar tranquilo com a possibilidade de um acordo de delação premiada envolvendo o banco Master. Segundo Ibaneis, todas as transações de seu escritório foram legais e estão devidamente documentadas. No entanto, o desgaste político é evidente e crescente.
A fragilidade da base aliada
O apoio político a Ibaneis parece estar se desfazendo. O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, já saiu de sua base de sustentação. Essa saída deixou a chapa eleitoral dele e de sua vice, Celina Leão, mais isolada. O partido agora planeja lançar duas candidatas ao Senado na mesma chapa, o que exclui Ibaneis do acordo.
Aliados do ex-governador acreditam que a direção nacional do PL pode interferir a seu favor. Eles esperam que uma das candidatas do partido desista da corrida ao Senado. Durante o jantar, seus correligionários sugeriram que a campanha deveria focar nos feitos da gestão. A ideia é contrastar sua obra com os perfis mais ideológicos de suas possíveis adversárias.
Por outro lado, opositores enxergam a crise do BRB como um fator de desgaste irreversível. Eles apostam que o escândalo vai pesar cada vez mais até outubro. O senador Izalci Lucas, que também é do PL, já se coloca como pré-candidato a governador. Ele acredita que o partido não poderá manter o apoio à vice-governadora Celina.
As incertezas e os planos B
A situação eleitoral está longe de estar definida. Nos bastidores, nomes como o do deputado federal Rafael Prudente são cogitados como alternativas. Ele poderia concorrer ao Senado ou mesmo ao governo, caso Ibaneis ou Celina desistam. Questionado, Prudente afirmou que seu foco atual é a reeleição para a Câmara dos Deputados.
Prudente também comentou que o impasse entre as candidaturas precisará ser resolvido pela própria vice-governadora. Ele lembra que Ibaneis foi o principal articulador dessa aliança política. Qualquer mudança na chapa, portanto, deveria partir de uma decisão pessoal do ex-governador. O cenário segue completamente aberto e sujeito a mudanças.
Apesar dos pedidos de impeachment e das tentativas de instalar uma CPI, Ibaneis não foi formalmente responsabilizado. Seus aliados na presidência da Câmara Legislativa barraram esses movimentos. Agora, fora do cargo e sem foro privilegiado, sua trajetória política dependerá diretamente do voto popular e do desenrolar das investigações. O próximo capítulo dessa história será escrito nas urnas.
Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.