Depois de duas derrotas seguidas, uma para o rival Manchester United e outra para o Bodø/Glimt, o Manchester City precisava de uma reação. E ela veio neste sábado, em casa, contra o Wolverhampton. Com gols de Omar Marmoush e Antoine Semenyo, a equipe de Pep Guardiola venceu por 2 a 0 no Etihad Stadium. A vitória, no entanto, ficou em segundo plano depois do apito final. O assunto que dominou os holofotes foi uma decisão arbitral polêmica.
A discussão começou ainda no primeiro tempo, em um lance envolvendo o atacante Marmoush e o zagueiro Yerson Mosquera, do Wolverhampton. A bola pareceu tocar no braço do defensor dentro da área. O árbitro Farai Hallam, em sua estreia na Premier League, foi até o monitor do VAR e decidiu não marcar o pênalti. A explicação dada pelo sistema de som do estádio foi de que o braço estava em "posição natural". A torcida do City vaiou com força, mas a decisão foi mantida.
Essa justificativa, porém, não convenceu o técnico Pep Guardiola. Na coletiva de imprensa pós-jogo, o espanhol não poupou críticas ao árbitro principal e à entidade que comanda o arbitragem na Inglaterra. Ele usou ironia ao comentar a "fantástica estreia" de Hallam e conectou o episódio a outro lance recente que também gerou descontentamento de sua parte.
A crítica de Guardiola e a referência a um caso anterior
Guardiola foi direto ao ponto. Ele disse estar certo de que Howard Webb, o chefe dos árbitros ingleses, viria a público explicar a decisão, como fez após o clássico contra o Manchester United. Naquele jogo, um lance com Diogo Dalot e Jérémy Doku foi outro ponto de discórdia. O treinador do City fez questão de trazer esse caso à tona novamente, mostrando que sua irritação não era apenas com o erro isolado de sábado.
Ele questionou a lógica usada no VAR. "Acho que é a primeira vez que um árbitro vai ao VAR e anula um lance por considerar que a posição do braço é natural", afirmou. Guardiola também fez um pedido direto, e com timing. "Que Howard Webb venha explicar amanhã por que aquilo não foi pênalti", disse, lembrando que sua equipe teria a Liga dos Campeões na quarta-feira e estaria ocupada.
O treinador vinculou os dois episódios de forma prática. Ele lembrou que, por causa da entrada de Dalot em Doku, o atacante belga não pôde jogar contra o Bodø/Glimt. Para Guardiola, há uma inconsistência nas interpretações que acaba prejudicando sua equipe de maneira concreta, dentro e fora de campo.
O caso Diogo Dalot e a sombra sobre as decisões
Mas o que exatamente aconteceu no tal lance com Diogo Dalot? Foi no clássico contra o Manchester United, ainda no início do jogo. O lateral português atingiu o joelho direito de Jérémy Doku com a sola de sua chuteira. O contato foi forte e o atacante do City precisou ser substituído nos minutos finais da partida. Na hora, o árbitro Anthony Taylor mostrou apenas cartão amarelo.
A decisão foi checada e confirmada pelo VAR, o que gerou enorme frustração em Guardiola na época. Ele chegou a dizer que um cartão vermelho naquela situação poderia ter mudado completamente o rumo do jogo. A Premier League, mais tarde, explicou em seus canais oficiais que o contato foi considerado "de raspão", sem força excessiva.
Essa explicação oficial, no entanto, não se alinha com a consequência física para o jogador, que ficou lesionado. É esse tipo de contradição que Guardiola destacou. Para ele, a falta de um critério claro e uniforme cria uma zona cinzenta onde as equipes ficam reféns de interpretações subjetivas a cada semana.
O treinador espanhol sabe que polêmicas arbitrais são parte do futebol. Mas sua fala após a vitória sobre o Wolverhampton vai além do desabafo momentâneo. É um questionamento sobre padrões. Quando um braço em "posição natural" anula uma chance clara de pênalti, e um contato que tira um jogador de ação é "de raspão", fica difícil para qualquer técnico planejar suas partidas.
A vitória por 2 a 0 trouxe os três pontos de volta ao City, algo fundamental na briga pelo título. Porém, o gosto amargo da discussão com os árbitros parece persistir. Enquanto as regras forem interpretadas de maneiras tão distintas, os treinadores seguirão com um ponto a mais de preocupação em suas análises. E os jogos, por mais decisivos que sejam, sempre carregarão a sombra da dúvida.
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