A corrida pelo governo do Paraná começa a esquentar de verdade. As convenções partidárias acabaram e os blocos principais estão formados. Três nomes despontam nas pesquisas e mobilizam diferentes forças políticas no estado.
De um lado, o senador Sergio Moro lidera as intenções de voto com apoio de setores bolsonaristas. Do outro, o deputado Sandro Alex surge como o nome do governador atual. E há ainda o deputado Requião Filho, que aparece em segundo lugar e agrega a esquerda.
A articulação para montar essas chapas revela muito sobre a política paranaense. Alianças foram costuradas, nomes foram preteridos e antigos aliados agora estão em campos opostos. O cenário é dinâmico e promete uma disputa acirrada até outubro.
A grande aliança articulada pelo governador
O grupo do governador Ratinho Junior apostou em uma ampla coalizão para tentar frear Moro. A estratégia foi reunir as principais siglas do centrão em torno da candidatura de Sandro Alex. Para isso, foi preciso afastar outros pré-candidatos que poderiam dividir votos.
Alexandre Curi, presidente da Assembleia, aceitou concorrer ao Senado. Já o ex-prefeito Rafael Greca concordou em ser vice na chapa. Essa movimentação buscou consolidar um único nome forte contra o favorito das pesquisas. A união de forças é considerada essencial nesse cenário.
A composição inclui partidos como MDB, Republicanos e a federação PP com União Brasil. Avante e PSDB-Cidadania também entraram na aliança. O objetivo é claro: criar um bloco capaz de competir em todo o estado, município por município.
Os conflitos dentro da chapa do PSD
Nem tudo são flores na ampla aliança montada. A escolha dos candidatos ao Senado gerou atritos internos. Cristina Graeml recebeu uma das vagas, surpreendendo correligionários. Ela é uma figura polêmica, com histórico de confronto contra o próprio PSD em Curitiba.
Sua campanha municipal em 2024 foi marcada por críticas ao "sistema". Agora, ela se une ao grupo que antes combatia. O governador justifica a escolha destacando "valores em comum", como defesa da propriedade privada. Mas a decisão deixou aliados desconfortáveis.
Outro preterido foi o ex-secretário Guto Silva, braço direito de Ratinho Junior. Ele era cotado para a sucessão, mas não decolou nas pesquisas. Seu afastamento silencioso mostra que nem sempre a proximidade com o poder garante uma candidatura.
A estratégia de Sergio Moro e seus aliados
Enquanto isso, Sergio Moro trabalha para consolidar sua liderança. Sua filiação ao PL, partido de Bolsonaro, deu base sólida à candidatura. Ele também conquistou apoio do Novo, Podemos e Democracia Cristã, formando um bloco coeso à direita.
Moro busca equilibrar dois discursos: o nacional, que agrada militantes bolsonaristas, e o local, focado em problemas paranaenses. Ele evita criticar diretamente o governador, que tem alta aprovação, mas enumera questões do estado que precisam de atenção.
Na convenção partidária, usou camiseta com frase sobre a Lava Jato. Defendeu a liberdade de Bolsonaro e manteve retórica contra o PT. Seus candidatos ao Senado reforçam essa linha: Filipe Barros e Deltan Dallagnol são vozes conservadoras e críticas ferrenhas ao governo federal.
A migração da família Francischini
Um movimento político significativo foi a mudança da família Francischini. Eles eram aliados do governador, mas migraram para apoiar Moro. Fernando Francischini, cassado por fake news, filiou-se ao PL e quer voltar à Câmara Federal.
Sua esposa, Flávia Francischini, busca reeleição como deputada estadual. Ela mira a presidência da Assembleia Legislativa caso Moro vença. Já o filho, Felipe Francischini, assumiu o comando do Podemos no estado.
A justificativa para a mudança é clara: querem participar de um projeto de direita estadual e nacional. Essa migração mostra como alianças políticas podem se rearranjar rapidamente. Lealdades partidárias frequentemente cedem a cálculos eleitorais mais amplos.
A candidatura de Requião Filho e a esquerda
Requião Filho surge como terceira força na disputa, ocupando espaço à esquerda. Sua candidatura agrega PT, PV, PCdoB e a federação PSOL-Rede. PRD e Solidariedade completam a coalizão, formando um bloco progressista.
Para o Senado, a chapa traz dois nomes petistas de peso: Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha. A articulação começou ainda no ano passado, mostrando planejamento. A estratégia é consolidar o eleitorado progressista em torno de um único nome.
A campanha deve focar em pautas sociais e críticas aos adversários. Num estado com tradição conservadora, a esquerda busca se reorganizar. A força dessa aliança será testada nas urnas, mostrando o atual espaço do progressismo no Paraná.
Os temas que devem dominar a campanha
A disputa promete ser acirrada e os temas já começam a se definir. De um lado, Moro foca na bandeira anti-PT e na defesa de valores conservadores. Do outro, Alex e sua aliança evitam o confronto ideológico direto.
Eles preferem destacar a gestão e o desenvolvimento econômico do estado. O slogan "Seguimos em frente unidos e em paz" reflete essa estratégia. A ideia é vender estabilidade e continuidade dos bons resultados.
Requião Filho, por sua vez, deve atacar ambos os lados e apresentar alternativa progressista. A população paranaense terá opções claras em outubro. Cada bloco representa visões distintas sobre o futuro do estado.
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