Um grupo de 23 paranaenses está há dias retido em um navio de cruzeiro em Dubai, nos Emirados Árabes. Entre eles, 18 são idosos. A viagem de volta ao Brasil, que seria no último domingo, foi cancelada. O motivo é o fechamento do espaço aéreo em vários países da região por causa do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
O transatlântico, com cerca de cinco mil passageiros, segue atracado no porto por determinação de segurança. A medida é uma resposta direta aos bombardeios. Países como Irã, Iraque, Kuwait e os próprios Emirados Árabes suspenderam todos os voos. O grupo, formado por moradores de Londrina e Assaí, no norte do Paraná, aguarda uma solução.
Eles haviam partido do Brasil em 19 de fevereiro. A programação incluía passagens por Doha, no Catar, e por Abu Dhabi. A volta estava planejada para ser a partir de Doha. Agora, com a escalada da tensão, não há qualquer previsão para a retomada dos voos comerciais. A espera no navio é a única realidade no momento.
### Momentos de tensão em terra firme
A guia de turismo Cristina Strik, responsável pelo grupo, descreveu cenas de apreensão. Durante um passeio em Dubai, a tripulação do navio orientou todos a retornarem imediatamente. Os turistas ouviram barulhos de explosão ao longe. A paisagem da cidade rapidamente mudou.
Segundo Cristina, uma densa fumaça tomou conta da área do porto. Os prédios do centro ficaram praticamente encobertos. O céu escureceu com a fumaça das explosões. Além da visão, outro sentido foi afetado: um forte cheiro de enxofre pairou no ar.
A experiência, obviamente, assustou todos os passageiros. O que seria um tranquilo passeio turístico se transformou em uma corrida de volta à segurança relativa do transatlântico. O episódio deixou claro o quão próximo o conflito está, mesmo em um local considerado estável como Dubai.
### A preocupação com a saúde dos idosos
Além do medo imediato, uma preocupação prática cresce a cada dia. Muitos dos idosos do grupo levaram medicamentos de uso contínuo apenas para a duração original da viagem. Remédios para controle de pressão e outras condições estão perto do fim.
A guia já realizou uma reunião com todos para mapear a situação. Ela coletou as receitas médicas de quem precisa. A ideia é tentar conseguir os medicamentos diretamente na farmácia do navio. Essa é uma corrida contra o tempo, já que a interrupção desse tipo de tratamento pode trazer sérios riscos.
A empresa responsável pela excursão informou que todos estão bem. O contato com as famílias no Brasil é mantido via internet gratuita a bordo. No entanto, o bem-estar físico depende da reposição desses medicamentos essenciais. É uma camada extra de ansiedade em uma situação já delicada.
### Orientações e a espera pelo retorno
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu orientações para cidadãos na região. A recomendação é permanecer em locais seguros e evitar qualquer tipo de aglomeração. Durante alertas de ataque, é crucial não ficar em áreas abertas ou com visão direta do céu.
O Itamaraty também pede que os brasileiros entrem em contato com os plantões consulares. As embaixadas e consulados na região estão de prontidão. Enquanto isso, a empresa de turismo trabalha nos bastidores para encontrar uma rota segura de volta para o grupo.
Enquanto a guerra avança e os céus permanecem fechados, a vida dos 23 paranaenses segue em compasso de espera. Eles observam o movimento do porto de Dubai do convés de um navio parado. A única certeza é a vontade de voltar para casa, um desejo que depende da pacificação de um conflito distante, mas com consequências muito reais.
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