A greve dos trens da CPTM continua nesta quarta-feira. A decisão foi mantida em assembleia geral realizada na noite de terça pelos trabalhadores. O movimento paralisa as linhas Coral, Safira e Jade por tempo indeterminado.
Os ferroviários buscam uma garantia formal por escrito sobre seus empregos. Eles temem demissões com a concessão das linhas à iniciativa privada. O governo afirma que já assumiu o compromisso de não demitir durante o processo de realocação.
Enquanto isso, o rodízio de veículos na capital paulista permanece suspenso. A medida tenta amenizar o caos no transporte. A paralisação afeta diretamente centenas de milhares de pessoas todos os dias.
O que está em jogo na negociação
O cerne do conflito é a segurança no emprego. O sindicato exige um documento oficial do governo do estado. Esse papel deve assegurar que nenhum trabalhador será dispensado. A privatização das linhas gera incerteza entre os funcionários.
O governo, por sua vez, diz que apresentou propostas concretas. Alega que a manutenção dos postos de trabalho já foi garantida. Por isso, considera a greve sem fundamento. A falta de um acordo por escrito, no entanto, mantém a desconfiança.
Nesta quarta, uma nova reunião de conciliação está marcada. Ela ocorrerá no Tribunal Regional do Trabalho às doze horas. A Justiça já impôs multas pesadas para descumprimento de escala mínima. O objetivo é evitar prejuízos maiores aos passageiros.
Como está a operação das linhas
A circulação de trens está bastante reduzida. A CPTM informou que operava cerca de um terço da frota normal durante o pico da tarde. A prioridade foi dada aos trechos de maior demanda de passageiros. A situação causa superlotação e atrasos significativos.
Na Linha 11-Coral, os trens circulam entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases. Na Linha 12-Safira, o trecho operante vai do Brás até Engenheiro Goulart. Já a Linha 13-Jade tem todas as estações funcionando, mas com velocidade reduzida. O Expresso Aeroporto segue totalmente paralisado.
Para amenizar o problema, foi acionado um plano de apoio com ônibus. A iniciativa tenta atender passageiros do extremo leste e de cidades da região metropolitana. É uma solução paliativa, já que um trem tem capacidade muito superior a de um ônibus.
O contexto da concessão e as outras demandas
O leilão dessas três linhas aconteceu em março do ano passado. A concessão à iniciativa privada tem prazo de vinte e cinco anos. O contrato prevê grandes investimentos em novas estações e extensões das linhas. O governador defende que a iniciativa privada trará modernização.
Uma das bandeiras dos ferroviários é a aprovação de um projeto de lei estadual. A proposta facilita a absorção dos trabalhadores por outros órgãos públicos. O tema foi discutido com deputados na Assembleia Legislativa nesta terça. A ideia é criar uma rede de segurança legal para os empregados.
O governo já reassumiu o controle das linhas de forma temporária em julho. A ação foi resposta a uma série de falhas na operação da concessionária anterior. Agora, a transição para uma nova empresa privada gera o atual impasse trabalhista. O desfecho depende do entendimento nas mesas de negociação.
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