O cenário político do Rio de Janeiro ganhou um novo personagem nos últimos meses, e sua trajetória recente envolve uma rotina intensa de viagens. O desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça estadual, assumiu o governo de forma interina. Antes dessa nova função, porém, seus deslocamentos a serviço da corte chamaram a atenção pelos valores envolvidos.
Em um período de sete meses, as diárias recebidas por ele somaram quase duzentos mil reais. Esse montante refere-se exclusivamente a verbas para cobrir despesas como hospedagem, alimentação e locomoção em viagens oficiais. Em alguns momentos, o valor desses benefícios chegou a superar seu próprio salário mensal na magistratura.
A regra para o pagamento de diárias no Judiciário estabelece um teto por dia, mas não existe um limite mensal. Isso significa que a quantidade de viagens determina o total recebido. A situação ilustra como a função pode demandar deslocamentos frequentes, com custos que se acumulam rapidamente ao longo do ano.
A rotina de viagens do magistrado
Os meses de junho, agosto, outubro e dezembro de 2025 foram os de maior movimentação. Em junho, por exemplo, as diárias ultrapassaram quarenta e nove mil reais, valor superior ao salário da época. As viagens daquele mês incluíram destinos como Brasília e Madri, para compromissos oficiais ligados à presidência do tribunal.
Em agosto, ele passou mais da metade dos dias fora do Rio. A agenda incluiu uma semana em Portugal, além de passagens por São Luís e pela capital federal novamente. No total, foram mais de quarenta e dois mil reais em diárias naquele período, refletindo o tempo dedicado a esses deslocamentos.
Outubro seguiu o mesmo ritmo, com vinte dias em trânsito. A viagem mais expressiva em custo foi para a França, para um encontro de escolas de magistratura. Sete diárias nesse destino consumiram trinta e um mil reais dos cofres públicos, mostrando o impacto das missões internacionais no montante final.
Os destinos e os compromissos
Os registros mostram uma diversidade de destinos, nacionais e internacionais. Em dezembro, as viagens incluíram Roma, Florianópolis e Belo Horizonte. A passagem pela capital italiana, para um evento sobre direito digital, durou sete dias e representou a maior parte das diárias daquele mês.
Já em janeiro deste ano, pouco antes de assumir o governo, ele realizou uma nova viagem a Portugal. A justificativa foram visitas institucionais, com duração de dez dias. O período ocorreu logo após o recesso do Judiciário, mantendo a cadência intensa de compromissos no exterior.
A transparência sobre a agenda específica dessas viagens, no entanto, nem sempre é completa. Questionado sobre os detalhes dos compromissos em Portugal em janeiro, o Tribunal de Justiça não forneceu esclarecimentos até o momento da apuração. O espaço para resposta, conforme o padrão jornalístico, permanece aberto.
O contexto da sucessão no governo
Ricardo Couto chegou ao Palácio Guanabara através de uma linha sucessória incomum. Ele assumiu como governador interino após a renúncia do então titular, Cláudio Castro, que decidiu concorrer ao Senado. Na estrutura do estado, o desembargador era o quarto na ordem de substituição.
A cadeia de eventos que levou a isso foi turbulenta. O vice-governador assumiu uma vaga no Tribunal de Contas, e o presidente da Assembleia Legislativa foi afastado do cargo após ser preso. Essas vacâncias sucessivas é que colocaram o presidente do Tribunal de Justiça na posição de assumir o Executivo estadual.
O futuro político do estado agora aguarda uma definição do Supremo Tribunal Federal. Os ministros começaram a julgar se haverá eleições indiretas para preencher o mandato restante. O placar inicial indica uma tendência, mas o julgamento foi suspenso para análise mais detalhada. A discussão segue em aberto, enquanto o estado segue sob uma administração interina.
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