Gilberto Gil e Sandra Gadelha enfrentaram um obstáculo inesperado ao registrar a filha, em 1975. O cartório não aceitou o nome que escolheram. O casal queria batizar a menina simplesmente como Preta, mas a escrivã responsável pelo registro estranhou a proposta na hora.
Ela questionou a escolha, demonstrando resistência. Para ela, aquele não parecia um nome adequado. Gilberto Gil, no entanto, manteve a convicção. Ele argumentou que muitas pessoas têm nomes ligados a cores, como Rosa ou Branca, então por que Preta seria diferente?
Sandra Gadelha, mãe de Preta, relembrou a cena com detalhes. Ela conta que a escrivã repetiu o nome com estranheza. Foi então que Sandra deu uma sugestão prática para contornar a resistência. Propôs adicionar “Maria” ao nome, para que soasse mais convencional aos ouvidos da funcionária.
A manobra familiar funcionou, mas a essência da escolha original foi preservada. A criança foi registrada como Preta Maria Gadelha Gil. O episódio mostra como uma burocracia aparentemente simples pode carregar preconceitos. A insistência dos pais garantiu que a identidade desejada fosse oficializada.
Anos mais tarde, a própria Preta Gil narrou o ocorrido com propriedade. Ela explicou que o tabelião chegou a dizer que “Preta não era nome de gente”. A artista sempre defendeu a decisão de seu pai com orgulho. Ela via beleza e força naquele nome, uma afirmação de identidade desde o primeiro documento.
A história do registro virou um símbolo da personalidade da família. Mostra a determinação de Gilberto Gil e Sandra em enfrentar convenções. A série documental “Meu Nome é Preta”, lançada um ano após sua morte, reviveu essa memória. O relato emocionante ajuda a entender a trajetória única da artista.
Preta Gil faleceu em julho de 2025, aos cinquenta anos. Ela estava em Nova York para um tratamento médico experimental. Sua morte causou grande comoção no Brasil e no mundo da música. A artista deixou um legado marcado pela coragem e pela celebração da negritude.
O documentário serve como uma homenagem à sua vida e à sua luta. Revela histórias íntimas como a do registro, que moldaram quem ela foi. Essas memórias ajudam a manter viva sua presença e sua mensagem. A narrativa familiar resgata a humanidade por trás da figura pública.
Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.