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Galípolo conquista Faria Lima, mas vê BC no epicentro de crises em 1º ano no comando

Você sabia que um desentendimento público sobre um imposto pode revelar muito sobre os rumos da economia? Pois é, algo assim aconteceu recentemente entre duas das figuras mais importantes do país na área econômica.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou um aumento no IOF, o imposto sobre operações financeiras. No dia seguinte, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou ter "antipatia" e "resistência" à mudança. Esse foi o primeiro desalinhamento claro entre eles exposto ao público.

A medida pegou o mercado de surpresa, gerando temores de uma fuga de recursos do Brasil. A reação negativa foi imediata e intensa. Galípolo teve que trabalhar nos bastidores para controlar os danos, recebendo cobranças de vários lados.

Para muitos economistas, esse episódio foi um marco no primeiro ano de Galípolo no comando do BC. Ele buscou conquistar a confiança dos investidores e construir sua credibilidade. Curiosamente, hoje ele é visto como mais popular no mercado financeiro do que o próprio ministro Haddad.

Isso acontece porque, enquanto o ministro gasta capital político, Galípolo sinaliza que tomará decisões técnicas, mesmo que desagradem o governo. Ele demonstra querer preservar a autonomia do Banco Central, um ponto sensível para os investidores.

Essa postura foi crucial durante seu maior teste até agora: a crise do Banco Master. A decisão do BC de liquidar a instituição colocou Galípolo em rota de colisão com poderosos, inclusive no Supremo Tribunal Federal.

A Prova de Fogo do Banco Master

A liquidação do Master gerou uma reação rara e positiva do setor financeiro. Associações de bancos e fintechs se uniram para defender a autoridade do Banco Central. Elas emitiram uma nota conjunta enaltecendo a importância de um regulador técnico e independente.

Esse apoio foi vital em um momento de grande tensão. Nos bastidores, a cúpula do BC se sentia sob ataque desde que decretou a liquidação do banco, em novembro. A situação se complicou com a atuação de um ministro do STF no caso.

O ministro Dias Toffoli determinou que o dono do Master, um ex-presidente do BRB e um diretor do BC fossem interrogados. A decisão de incluir o diretor do BC foi vista como uma interferência na autoridade regulatória, mas depois foi reconsiderada.

Muitos no mercado acreditam que o BC, na verdade, agiu tarde contra o Master. As investigações posteriores revelaram um rombo bilionário, com repasses de créditos que nem existiam. O caso mostrou os riscos de falhas na fiscalização.

Ciberataques e a Busca por Segurança

Paralelamente ao caso Master, o sistema financeiro enfrentou outro grande desafio: a segurança digital. O país registrou o maior ataque cibernético de sua história, com prejuízos superiores a 800 milhões de reais.

Esse não foi um incidente isolado. Ao longo do ano, uma série de ataques exigiu medidas emergenciais do Banco Central. O objetivo era claro: evitar uma crise de confiança da população nas instituições financeiras.

Para fechar brechas exploradas por criminosos, o BC promoveu mudanças regulatórias urgentes. Entre elas, está o aumento do capital mínimo exigido dos bancos. Medidas como essa, porém, geraram preocupação em instituições menores, que temem perder competitividade.

A Política de Juros e a Independência

Enquanto ajustava a regulação, Galípolo manteve o rumo na área mais sensível: a política de juros. Sua nomeação foi cercada de desconfiança, devido à sua proximidade com o presidente Lula. Havia receio de interferência política nas decisões do Copom.

Um ano depois, porém, o mercado financeiro o elogia justamente por resistir a essas pressões. Ele manteve os juros em patamares elevados para controlar a inflação, mesmo sob críticas de membros do governo.

Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara, considera o primeiro ano de Galípolo "espetacular". Para ele, o presidente do BC mostrou a importância da independência da instituição. Outros economistas avaliam que a gestão tem sido até mais conservadora que o necessário, insistindo em uma meta rígida de inflação.

A manutenção dos juros altos gera atritos com o Planalto, mas Galípolo tem sido poupado de ataques pessoais mais diretos. Sua estratégia tem sido construir reputação através da coerência e do discurso técnico, buscando equilibrar as demandas do mercado com um cenário político complexo.

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