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Funcionários da USP fazem paralisação contra proposta de gratificação a professores

Funcionários da USP param os trabalhos nesta terça-feira. A paralisação envolve os trabalhadores técnico-administrativos da universidade. O protesto é uma resposta direta a uma proposta de bonificação para os professores.

A reitoria da universidade deve votar uma gratificação especial para os docentes ainda hoje. O valor seria de R$ 4.500 mensais para atividades extras. Esse pagamento gerou forte insatisfação entre os demais servidores.

O sindicato dos trabalhadores classifica a medida como elitista. Eles argumentam que as pautas dos funcionários são sempre deixadas para trás. Enquanto isso, os professores seguem recebendo novos benefícios.

A reivindicação por igualdade

O Sintusp, sindicato que representa a categoria, exige tratamento isonômico. A pergunta que fazem é clara: por que R$ 4.500 para um grupo e nada para os outros? A sensação é de que há duas categorias de servidores dentro da mesma instituição.

As demandas dos técnico-administrativos são concretas. Eles pedem um reajuste fixo de R$ 1.200 nos salários de todos. Além disso, exigem a correção integral das perdas causadas pela inflação desde 2012.

Essa correção total corresponderia a 14,5%. A paralisação de hoje é um aviso. Os trabalhadores também aprovaram entrar em greve se a bonificação dos professores for aprovada. A tensão dentro da USP é palpável.

Os detalhes da polêmica proposta

A proposta partiu da reitoria, sob o comando de Aluisio Segurado. Ela cria a Gace, uma Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas. Para receber o benefício, o professor precisa se dedicar a atividades extras.

Isso pode incluir ministrar uma disciplina em outro idioma ou oferecer cursos de extensão. O pagamento seria mensal e fixo, durando até 24 meses. Somente professores em regime de tempo integral seriam elegíveis.

O custo anual dessa medida seria de R$ 238,44 milhões. A proposta não é nova, mas foi apresentada durante a campanha salarial dos docentes. Sua timing alimentou o mal-estar com a aparente priorização de uma categoria.

Uma mudança nas regras orçamentárias

Para viabilizar o gasto, a reitoria também propõe uma mudança nas regras financeiras. Uma norma de 2017 limita quanto a USP pode gastar com salários. A universidade monitora o percentual da receita comprometido com a folha.

Quando esse índice sobe muito, medidas de contenção são acionadas. A nova minuta sugere retirar alguns pagamentos desse cálculo. Indenizações e valores eventuais não seriam mais contabilizados como despesa com pessoal.

Na prática, isso maquia o percentual real de gastos com salários. O número apresentado ficaria artificialmente mais baixo. Assim, abriria espaço legal no orçamento para novas despesas, como a própria Gace.

O tamanho do impacto

A USP conta com mais de 5.300 professores atualmente. Já o corpo de funcionários técnico-administrativos é bem maior, com aproximadamente 12.600 pessoas. A decisão de hoje afeta diretamente o clima entre esses dois grupos.

A reitoria foi procurada para se manifestar sobre as críticas. A instituição informou que só se pronunciará após a reunião do conselho. O resultado da votação deve definir os próximos passos do movimento dos servidores.

Enquanto isso, a paralisação segue como um símbolo de descontentamento. O debate coloca em foco a busca por equilíbrio e reconhecimento dentro da comunidade universitária. O desfecho ainda é uma incógnita.

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