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Filipa comete traição com Jaques e Danilo e sofre rejeição em massa em Dona de Mim

Filipa atravessa um momento de dor profunda. Perder Abel foi como perder parte de si mesma. O casamento acabou, mas o que desabou mesmo foi todo o seu mundo emocional. A personagem fica sem chão, sem referência, completamente perdida.

Acontece que a novela não deu muito espaço para esse sentimento. O luto mal começou e já surgiram novos interesses românticos. Para quem acompanha, pareceu tudo muito rápido. É natural se perguntar: como alguém que amava tanto consegue seguir em frente assim, quase como se a página tivesse sido virada sem que o capítulo anterior fosse devidamente fechado?

Esse ritmo acelerado mudou a forma como o público enxerga Filipa. A empatia inicial dá lugar a um certo estranhamento. As escolhas amorosas da personagem, uma após a outra, parecem mais motivadas por uma carência imensa do que por uma reflexão verdadeira. Falta aquele tempo necessário para respirar e entender a própria dor.

Uma sequência de escolhas difíceis

O primeiro envolvimento, com Jaques, pegou todo mundo de surpresa. Ele não é apenas o irmão de Abel, mas carrega uma carga pesada de culpa pela tragédia. Ver Filipa se aproximar dele causou um desconforto enorme. A pergunta que ficou no ar foi direta: como é possível se conectar com alguém que está ligado de forma tão direta à maior perda da sua vida?

A situação se repete, de certa forma, com Danilo. Ele também, mesmo sem querer, esteve no epicentro dos fatos que levaram à morte do marido de Filipa. Para o telespectador, soa como se ela estivesse repetindo o mesmo padrão. São homens marcados pela mesma tragédia, como se Filipa buscasse neles algo que foi embora com Abel, sem conseguir se desvencilhar do passado.

O ponto de maior estranhamento, porém, veio com uma revelação. Danilo já havia se relacionado com Nina, a filha de Filipa. Esse é um limite que, para muita gente, simplesmente não dá para ignorar. O incômodo vai além de uma questão moral, é algo que mexe com a estrutura emocional da história. Quando a trama trata isso como um detalhe menor, parece que está minimizando um conflito que deveria ter um peso enorme.

A personagem por trás das polêmicas

Nada disso, claro, tira o mérito do trabalho de Cláudia Abreu. É justamente o contrário. A força da atuação é que faz com que Filipa provoque reações tão intensas. A atriz consegue transmitir a fragilidade, a confusão e os erros de uma mulher que está simplesmente tentando sobreviver à própria dor. Ela não é construída como vilã, mas também está longe de ser uma heroína.

Filipa erra, insiste no caminho equivocado e colhe as consequências disso. A jornada dela é difícil justamente porque é humana e cheia de falhas. O problema, no fim das contas, talvez não esteja em quem ela decide amar, mas na pressa narrativa para que o público aceite esses novos rumos como algo natural.

Faltou tempo. Tempo para o luto se manifestar, tempo para o silêncio fazer sentido, tempo para a personagem — e quem a assiste — sentir cada etapa dessa recuperação. Em uma novela, onde os sentimentos são a base de tudo, esse ritmo faz toda a diferença na conexão com a história. A falta dele deixa uma sensação de que algo importante foi deixado para trás.

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