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Farmacêutica libera injeção contra HIV para estudo da Fiocruz em sete cidades do país

Uma nova etapa na prevenção ao HIV está prestes a começar no Brasil. Um estudo importante vai avaliar a aplicação de uma injeção que protege contra o vírus por seis meses. A iniciativa pode abrir caminho para que esse novo método chegue ao SUS no futuro.

A pesquisa será realizada pela Fiocruz em sete cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Manaus, Campinas e Nova Iguaçu. O foco está nas pessoas mais vulneráveis à infecção, como homens gays e bissexuais, pessoas trans e não binárias com até trinta anos. A participação será totalmente voluntária e espontânea.

Quem procurar um serviço de saúde por conta da PrEP, a profilaxia já conhecida, terá uma escolha. Poderá optar pelo comprimido diário usado atualmente ou pela nova injeção semestral. O objetivo é medir o interesse real da população e testar a logística necessária para aplicar o medicamento injetável.

Como funcionará o estudo prático

A pessoa chega ao centro de saúde buscando se proteger do HIV. Em vez de sair apenas com a caixa de comprimidos, ela recebe uma explicação sobre as duas opções disponíveis. Pode escolher o método tradicional ou a injeção de longa duração. Essa liberdade de escolha é fundamental para o projeto.

Assim, os pesquisadores conseguem observar qual método as pessoas realmente preferem na rotina. Também avaliam os desafios práticos, desde o armazenamento do medicamento até o treinamento das equipes. Tudo será feito dentro da estrutura normal do sistema público de saúde.

O estudo já tem as doses do medicamento, chamado lenacapavir, doadas pela fabricante. Agora, aguarda apenas a chegada de um insumo básico: as agulhas específicas para a aplicação. Com isso em mãos, o trabalho de campo pode começar.

O caminho até a possível distribuição no SUS

A aprovação da Anvisa para o uso do lenacapavir no país foi um passo crucial. No entanto, essa é apenas a primeira permissão regulatória. Para que a injeção seja distribuída gratuitamente, outros órgãos governamentais precisam se manifestar. O processo é complexo e demorado.

A CMED definirá o preço máximo que o medicamento pode ter no mercado brasileiro. Em seguida, a Conitec analisará se vale a pena incorporar a tecnologia ao SUS. Eles consideram custo, benefício e impacto no orçamento da saúde pública. A decisão final cabe ao Ministério da Saúde.

O valor é, de fato, o maior obstáculo. Nos Estados Unidos, o tratamento anual com a injeção custa uma pequena fortuna. O preço exorbitante dificulta muito a compra em larga escala para um sistema público como o nosso. A busca por uma solução acessível é urgente.

A barreira do preço e a exclusão dos genéricos

Uma esperança comum para baixar custos é a produção de versões genéricas. No caso desse novo medicamento, porém, o Brasil ficou de fora da lista de países autorizados a fabricar cópias mais baratas. A fabricante fez acordos com 120 nações, mas nosso país não foi incluído.

A empresa considera que o Brasil tem capacidade de financiar seu sistema de saúde. Por isso, a estratégia de acesso por aqui será diferente. Tudo dependerá da negociação de preço com o governo. Sem a opção do genérico, a pressão por um valor justo na mesa de negociações aumenta ainda mais.

Especialistas veem a exclusão da lista de genéricos com preocupação. Em um país com tantos casos novos de HIV a cada ano, qualquer barreira de custo é um problema sério. A negociação com a farmacêutica será decisiva para o futuro dessa ferramenta de prevenção. O estudo da Fiocruz é o primeiro passo para mostrar a viabilidade e a demanda real.

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