O patrimônio imobiliário do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, cresceu de forma expressiva nos últimos anos. Segundo registros públicos em cartórios, o casal desembolsou milhões em aquisições de alto padrão, principalmente após a indicação de Moraes para a Corte. As transações, todas realizadas à vista, chamam a atenção pelo volume e pela velocidade.
O levantamento detalha uma movimentação financeira robusta no mercado imobiliário de luxo. Os investimentos se concentram em bairros nobres de São Paulo e em áreas valorizadas de Brasília. Esse cenário levanta questionamentos naturais sobre a origem dos recursos, já que os salários conhecidos não explicam, por si só, tal capacidade de investimento.
A trajetória patrimonial do casal mostra uma aceleração clara a partir de um determinado momento. Enquanto nas décadas anteriores as aquisições foram em menor número, o período recente concentra a maior parte do valor aplicado. Esse dado, por si só, convida a uma análise mais aprofunda da situação financeira da família.
Aceleração recente nos investimentos
Desde que Alexandre de Moraes assumiu uma cadeira no STF, o casal investiu mais de 23 milhões de reais em imóveis. Esse valor representa uma parcela significativa de tudo que foi aplicado em quase trinta anos. A mudança no padrão de compras é visível e coincide com a nova posição do ministro na cúpula do Judiciário.
As aquisições recentes incluem propriedades de alto luxo em localizações cobiçadas. Um exemplo é uma mansão de 776 metros quadrados no Lago Sul, em Brasília, comprada por 12 milhões de reais. O pagamento foi dividido em uma entrada milionária e o restante quitado por transferência bancária, sem financiamento.
Em São Paulo, o casal adquiriu um apartamento no Jardim Paulista por 1,05 milhão de reais. Curiosamente, parte do pagamento foi feito via Pix, um método rápido e moderno. Eles também possuem dois apartamentos no Jardim América, cada um comprado por 3 milhões de reais, também à vista.
A estrutura por trás das transações
Muitas dessas negociações não foram feitas diretamente no nome do casal. Uma empresa chamada Lex Instituto de Estudos Jurídicos foi frequentemente utilizada para administrar os bens. A sociedade tem como sócios Viviane e os dois filhos do casal, enquanto o ministro não aparece formalmente no quadro.
Essa estrutura é legal e comum para a gestão de patrimônio. No entanto, pelo regime de casamento do casal, os bens adquiridos durante a união são considerados comuns. Portanto, os imóveis administrados pela empresa integram, de fato, o patrimônio familiar, ainda que a aquisição seja feita por uma pessoa jurídica.
A empresa também foi usada para vender ativos. Um apartamento e uma vaga náutica no Guarujá foram vendidos por 1,4 milhão de reais para um advogado que atua no STF. O comprador afirmou não ter relação pessoal com Moraes e que a negociação foi feita diretamente com a empresa.
Crescimento paralelo do escritório de advocacia
Enquanto o patrimônio imobiliário crescia, o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes também se expandia. A banca comprou uma sala comercial em Brasília e tem participação em um imóvel na Avenida Faria Lima, em São Paulo. O faturamento da empresa teve um salto significativo recentemente.
Um contrato em particular ganhou destaque: um acordo de 129 milhões de reais com o Banco Master, vigente por três anos. Pela prestação de serviços, o escritório teria faturado dezenas de milhões. O banco é controlado por um banqueiro investigado no próprio STF por suspeita de fraudes financeiras.
A atuação do escritório em casos de grande vulto, somada ao explosivo crescimento patrimonial, cria um contexto complexo. São fatos públicos que se interligam e desenham um panorama financeiro robusto. As informações estão todas disponíveis em registros cartoriais e em divulgações oficiais, mas a interpretação dos nexos cabe a cada cidadão.
Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.