Dois homens acusados de estupro coletivo contra uma adolescente se entregaram à polícia nesta terça-feira. Eles têm 19 anos e responderão pelo crime junto com outros dois envolvidos. Um dos suspeitos, porém, segue foragido. Ele é filho de um subsecretário do governo do Rio de Janeiro, que acaba de ser exonerado do cargo.
A decisão de demitir o subsecretário foi anunciada pela secretaria estadual que ele integrava. A pasta justificou a medida como uma forma de preservar a integridade das investigações. Em nota, a secretária afirmou estar profundamente indignada com os fatos e reforçou seu compromisso com os direitos das mulheres.
O crime aconteceu no final de janeiro. A vítima, uma jovem de 17 anos, foi até um apartamento após um convite de um ex-namorado. Ele a assegurou de que não haveria problemas em ela ir sozinha. As imagens de segurança do local mostram a entrada e saída dos suspeitos no horário aproximado dos fatos.
Uma armadilha planejada
Segundo o delegado responsável pelo caso, tudo foi uma armadilha planejada. A vítima foi atraída por alguém com quem já teve um relacionamento e que estudava na mesma escola. Essa relação de confiança foi usada para levá-la ao local. Lá, outros quatro homens invadiram o quarto e cometeram as violências.
O exame de corpo de delito confirmou lesões na vítima. Foram encontrados sinais de trauma na região genital e hematomas nas costas e glúteos. Esses laudos compõem as evidências do inquérito policial, que segue em andamento.
As mensagens trocadas por aplicativo também fazem parte do processo. Nelas, o ex-namorado convida a adolescente e comenta sobre a possibilidade de levarem uma amiga. A jovem diz que não tem ninguém para acompanhá-la, e ele insiste para que vá sozinha. Logo depois, eles combinam o horário do encontro.
A defesa de um dos acusados
A defesa de um dos jovens já se manifestou, negando veementemente a acusação de estupro. Os advogados alegam que a vítima estava ciente da presença de outras pessoas no apartamento. Eles citam o depoimento da jovem à polícia, onde ela afirma ter permitido que os rapazes entrassem no quarto.
O documento da defesa também menciona que a adolescente teria atendido a outros pedidos durante aquele dia. Além disso, os advogados questionam por que imagens da jovem se despedindo com um sorriso não foram consideradas. Eles defendem que seu cliente, um estudante e atleta sem antecedentes, merecia o direito de ser ouvido.
Dois pedidos de prisão preventiva para os envolvidos já haviam sido negados pela Justiça anteriormente. Agora, com as entregas voluntárias, o caso deve seguir seu curso legal. As autoridades reforçam que as investigações estão a cargo dos órgãos competentes.
O desdobramento institucional
A exoneração do subsecretário, pai de um dos acusados, gera repercussão política. Ele ocupava um cargo de confiança e participava de importantes conselhos estaduais. Sua saída foi tratada como uma medida administrativa necessária diante da gravidade das acusações.
A secretária da pasta deixou claro, em suas redes sociais, que sua gestão tem como base a defesa dos direitos das mulheres. Ela afirmou que nunca compactuaria com qualquer ato que ferisse a dignidade feminina. A fala foi uma resposta imediata ao choque causado pelo envolvimento do filho de seu subordinado.
O caso segue sob sigilo judicial, mas a exposição pública é inevitável. A sociedade acompanha atenta as investigações, que envolvem jovens de classe média alta. O episódio levanta discussões sobre violência sexual, impunidade e a responsabilidade de figuras públicas.
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