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Exclusivo: Trump irá propor acordo para ter acesso às terras raras no Brasil e parceiros

Os Estados Unidos estão preparando uma nova iniciativa que pode redesenhar o mapa global de recursos estratégicos. O governo de Donald Trump convocou cerca de vinte nações para um acordo sobre minerais críticos e terras raras. O objetivo declarado é garantir o abastecimento desses insumos vitais para sua indústria de alta tecnologia e defesa.

A proposta americana busca, na prática, formar uma aliança comercial alternativa à China. O país asiático domina atualmente a maior parte do fornecimento mundial desses minerais. Eles são essenciais para fabricar desde smartphones e carros elétricos até sistemas de armas avançados.

O Brasil está entre os convidados para a reunião em Washington. A delegação brasileira, no entanto, levará uma postura cautelosa. A ideia é ouvir a proposta, mas não assumir compromissos imediatos. O tema é considerado sensível e de grande impacto geopolítico.

Os detalhes do acordo proposto pelos EUA

O rascunho do pacto obtido pela reportagem prevê uma cooperação ampla. Os países participantes se comprometeriam a agilizar licenças para mineração e processamento. A burocracia para abrir novas minas ou fábricas de beneficiamento seria simplificada. A medida visa acelerar a produção fora da esfera de influência chinesa.

Outro ponto central é a criação de mecanismos para controlar preços. O acordo fala em estabelecer preços mínimos ou medidas similares. A intenção é proteger os mercados de práticas consideradas desleais. Além disso, há um compromisso de compartilhar dados estratégicos, como mapas detalhados de reservas minerais.

O texto também incentiva investimentos públicos e privados em toda a cadeia. Seriam oferecidos empréstimos, garantias e contratos de fornecimento para projetos qualificados. O foco está em preencher lacunas nas cadeias de suprimentos consideradas prioritárias para os Estados Unidos e seus parceiros.

A posição cuidadosa do governo brasileiro

O Brasil reconhece a importância estratégica de seus recursos minerais. O país possui reservas significativas de terras raras, especialmente em áreas como o Amazonas. No entanto, a postura adotada será de análise detalhada e negociação. O governo Lula não quer que o tema vire uma moeda de troca em outras disputas comerciais.

Existe uma preocupação clara em Brasília. O Brasil não deseja ser colocado como um polo em uma nova divisão global de poder. Participar de uma aliança claramente desenhada para isolar a China traz riscos diplomáticos e econômicos. O país prefere manter uma relação de equilíbrio com todas as grandes potências.

A principal condição brasileira é que o acordo traga desenvolvimento real. O Brasil não aceitará ser apenas um exportador de minério bruto. A expectativa é que haja fluxos de investimento para industrializar a produção dentro do território nacional. Garantias de transferência de tecnologia e geração de empregos de valor agregado são fundamentais.

O que está em jogo nas terras raras

Minerais críticos e terras raras são a base da indústria do futuro. Eles estão em ímãs de alto desempenho, baterias recarregáveis, telas de LED e componentes militares. Quem controla essas cadeias produtivas detém uma vantagem competitiva colossal. A dependência mundial da China nessa área é vista com preocupação em Washington.

A busca por diversificação já era uma tendência, mas agora ganha um formato institucional. A proposta americana tenta criar um bloco coeso de fornecedores e consumidores. Países como Japão, Coreia do Sul e nações europeias, que são grandes consumidores, apoiam a ideia. A questão é saber quem fornecerá a matéria-prima de forma estável.

Para nações ricas em recursos, como o Brasil, surge uma oportunidade complexa. De um lado, há a chance de atrair investimentos e participar de um mercado de alto valor. De outro, existe o risco de se envolver em uma disputa tecnológica e estratégica entre gigantes. O caminho será negociar com pragmatismo, protegendo os interesses nacionais de longo prazo.

A reunião em Washington será apenas o primeiro passo de um longo diálogo. O governo brasileiro analisará a proposta minuciosamente junto ao Itamaraty e aos ministérios envolvidos. O assunto deve ser tratado novamente durante a visita de Lula aos Estados Unidos, marcada para março. As conversas, seguramente, só estão começando.

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