No início de março, um ex-ministro brasileiro viveu uma experiência tensa durante uma escala no Panamá. Ele seguia para um seminário na Guatemala quando foi detido por horas sem explicações claras. O episódio levanta questões sobre os procedimentos de segurança em viagens internacionais.
A situação começou logo após o desembarque no aeroporto da Cidade do Panamá. Dois policiais à paisana checaram os passaportes dos passageiros no finger. Quando examinaram o documento do brasileiro, o tom mudou completamente. Um agente pediu que ele o acompanhasse para uma "entrevista", sem dar maiores detalhes.
O local era uma sala fechada e sem identificação na área internacional. Através de uma parede de vidro, era possível ver outros policiais observando tudo. O clima era de interrogatório, não de uma checagem de imigração rotineira. O viajante foi obrigado a preencher um formulário com dados pessoais e detalhes da viagem.
O interrogatório e a justificativa vaga
O agente fez perguntas repetitivas e pediu comprovantes da participação no seminário. Ele fotografou a programação do evento e tirou várias fotos do passageiro. As impressões digitais foram colhidas três vezes, em um processo que claramente buscava ganhar tempo. O foco recaiu sobre uma antiga prisão política do brasileiro, em 1968.
O ex-ministro explicou que se tratava de um ato durante a ditadura militar, uma luta pela democracia. A resposta não pareceu importar para os agentes. Após mais perguntas, o policial saiu e o deixou sozinho na sala por cerca de vinte minutos. A preocupação em perder o voo de conexão para a Guatemala crescia a cada minuto.
Quando um novo policial apareceu, a decisão foi comunicada: ele não poderia seguir viagem. Seria deportado de volta ao Brasil no primeiro voo para o Rio de Janeiro. A justificativa citou uma Lei de Migração de 2008, que barra estrangeiros com condenações por crimes graves. Mais uma vez, ele afirmou nunca ter cometido crimes, apenas resistido a um regime autoritário.
A deportação e as suspeitas
O pedido para contatar a Embaixada do Brasil foi negado. As autoridades panamenhas alegaram que se tratava de uma decisão soberana e exclusiva. Por volta das dez da manhã, ele foi transferido para uma sala ao lado dos guichês de imigração. Lá, funcionários mais sociáveis permitiram que ele fosse ao banheiro e comprasse um lanche.
Eles ajudaram a recarregar seu celular e deram a entender que "erros aconteciam" com os detidos. Comentaram que a aplicação da lei havia ficado mais rígida após decretos recentes. Fizeram ainda uma referência a acordos de segurança amplos assinados com os Estados Unidos em 2025.
Às duas da tarde, um funcionário o acompanhou ao portão de embarque. Seu passaporte foi entregue à comissária de bordo, com ordens de só devolvê-lo no Rio. Ao chegar, o documento foi liberado pela Polícia Federal em um minuto. A viagem terminou onde havia começado, sem que ele alcançasse seu destino.
Tudo indica que a ação não foi fortuita. Provavelmente resultou do cruzamento de dados de passageiros com bases de informação panamenhas ou norte-americanas. Não parece ser uma perseguição pessoal, mas sim um novo procedimento padrão. É um sinal dos tempos turbulentos na segurança internacional.
Quem tem um passado de luta contra a ditadura no Brasil e foi condenado pelos tribunais da época deve ficar atento. Fazer escala ou visitar o Panamá pode acarretar transtornos. Caberia ao governo brasileiro um diálogo diplomático para esclarecer esses abusos e proteger seus cidadãos. Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no site Clevis Oliveira.
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