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Ex-Chelsea detona Mourinho: “Hipócrita. Tem jogadores negros no Benfica”

Um ex-jogador de futebol levantou a voz para criticar duramente a postura de um treinador português em um caso recente de suposto racismo. Jimmy Floyd Hasselbaink, atacante holandês que brilhou no Chelsea, não poupou palavras ao se referir a José Mourinho. O motivo foi a reação do técnico do Benfica ao episódio envolvendo Vinícius Júnior e Gianluca Prestianni.

Hasselbaink considerou a atitude de Mourinho uma grande hipocrisia. Ele lembrou que o próprio treinador já comemorou gol de forma efusiva no passado. Para o holandês, o gesto de Vinícius não justifica a crítica recebida. Mourinho deveria, segundo ele, ter conversado primeiro com seu próprio atleta.

A questão central, no entender do ex-jogador, é a aparente falta de apoio aos atletas negros. Ele questionou como os jogadores de cor do elenco do Benfica se sentiram com a declaração do técnico. A fala pública de Mourinho poderia ter sido diferente, mais investigativa e menos acusatória em relação à vítima.

O ex-atacante também abordou a dificuldade de comprovar insultos racistas em campo. O gesto de Prestianni, ao cobrir a boca, criou uma zona cinzenta impossível de transpor. A lei exige provas concretas, o que muitas vezes protege o agressor em situações como essa. A palavra da vítima frequentemente não é suficiente.

Por isso, Hasselbaink sugeriu uma mudança prática nas regras do futebol. Ele propôs a criação de uma norma que proíba os jogadores de falar cobrindo a boca com a camisa. Essa seria uma forma de evitar que suspeitas fiquem sem resposta. A medida poderia trazer mais clareza para investigações futuras.

A falta de transparência nas comunicações dentro de campo perpetua o problema. Enquanto os atletas puderem esconder o que dizem, as acusações ficarão no campo da suposição. Uma regra clara forçaria todos a se comunicarem de forma visível. Seria um passo simples, mas significativo.

A experiência pessoal de Hasselbaink com o racismo no futebol é longa e dolorosa. Ele relembrou um episódio particularmente grave durante sua passagem pelo Atlético de Madrid. Na época, foi cuspido por torcedores e se sentiu completamente abandonado. Era o único jogador negro do time em campo.

A solidão naquele momento foi a sensação mais marcante. Ninguém do time ou da comissão técnica o defendeu publicamente. O assunto foi simplesmente varrido para debaixo do tapete. Seguiu o jogo como se nada tivesse acontecido, mas a marca ficou.

Essa memória explica sua revolta com casos atuais. Ele vê um padrão que se repete: o fardo da prova sempre recai sobre a vítima. A sensação de desvalorização e abandono é a mesma de décadas atrás. A luta parece recomeçar do zero a cada novo episódio.

O caso específico entre Prestianni e Vinícius Júnior ainda aguarda um desfecho pela UEFA. O atacante argentino foi afastado preventivamente da Liga dos Campeões. A investigação segue em curso, mas já se estende por semanas sem uma conclusão definitiva. O tempo, muitas vezes, acaba sendo um aliado do esquecimento.

Vinícius acusou o jogador do Benfica de o chamar de “macaco” após marcar um gol. O protocolo antirracismo foi acionado e o jogo parou por dez minutos. A cena foi vista por milhões, mas a palavra real dita permanece um mistério. Prestianni, por sua vez, nega totalmente a acusação.

Enquanto o comitê de ética não se pronuncia, o assunto esfria na mídia. A demora nas punições, quando elas finalmente vêm, dilui seu impacto. A mensagem que fica é de que esse tipo de episódio não é uma prioridade. E o ciclo está pronto para se repetir.

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