Uma nova denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro traz à tona um caso complexo que envolve antigos assessores de Flávio Bolsonaro. Desta vez, a acusação mira uma ex-funcionária do senador, ligada a um miliciano morto. As investigações revelam um esquema milionário de lavagem de dinheiro, com empresas de fachada movimentando valores altíssimos.
O foco está em Raimunda Veras Magalhães, que trabalhou para Flávio na Assembleia Legislativa fluminense. Ela é acusada de integrar uma rede usada para ocultar recursos do jogo do bicho. A operação era controlada pelo miliciano Adriano da Nóbrega, morto em 2022. A investigação descreve uma estrutura sofisticada para esquentar o dinheiro ilegal.
Segundo os promotores, quatro empresas foram usadas como fachada, movimentando cerca de 8,5 milhões de reais. Entre os negócios, aparecem um depósito de bebidas e um restaurante. Um detalhe chama a atenção: um simples quiosque de sobrancelhas em um shopping registrou quase 2 milhões em créditos em apenas seis meses. A conta não fecha para um negócio real de pequeno porte.
A conexão com o passado político
Raimunda não é uma nome novo nas investigações ligadas a Flávio Bolsonaro. Ela já havia sido denunciada no famoso caso das "rachadinhas" na Alerj. Esse processo anterior acabou arquivado após decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. A nova acusação, porém, segue um caminho diferente, focada no crime de lavagem de capitais.
A defesa de Raimunda não se pronunciou sobre as novas acusações. Procurada, a advogada que a representou em outros momentos não retornou os contatos. Flávio Bolsonaro, por sua vez, também se absteve de comentar. O senador afirmou que não tomou conhecimento oficial da denúncia. Ele segue sua trajetória como pré-candidato à Presidência da República.
O período em que Raimunda teria atuado no esquema de lavagem não foi detalhado pelo MP-RJ. Sabe-se que ela foi assessora de Flávio entre abril de 2016 e novembro de 2018. As investigações mostram que a rede de Adriano da Nóbrega era ativa e lucrativa. O miliciano controlava pontos de jogo do bicho em Copacabana em sociedade com um bicheiro conhecido.
Outros envolvidos e a persistência do grupo
As denúncias não pararam na ex-assessora. O Ministério Público também ofereceu ação contra o deputado federal Juninho do Pneu. A acusação é de que ele adquiriu bens de Adriano da Nóbrega após a morte do miliciano. O valor dos imóveis chega a 3,5 milhões de reais. A promotoria afirma que o parlamentar e a viúva de Adriano sabiam da origem ilegal dos bens.
Julia Lotuffo, viúva de Adriano, foi denunciada como líder da organização após a morte do marido. Ela teria assumido o controle da contabilidade e dos ativos do grupo. Os negócios ilícitos continuaram, incluindo agiotagem e o mercado imobiliário irregular. A estrutura criminal se manteve ativa e até se sofisticou, segundo as apurações.
Ao todo, foram apresentadas três denúncias pelo Gaeco, o grupo de combate ao crime organizado. Elas tratam da atuação no jogo do bicho, de uma rede de matadores de aluguel e da ocultação de patrimônio. O caso expõe como organizações criminosas podem se perpetuar, mesmo após a morte de seus líderes originais. A justiça agora analisa as provas coletadas.
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