Os Estados Unidos acabam de divulgar um novo plano para sua defesa nos próximos anos. O documento desenha um caminho mais solitário e assertivo para a superpotência. A ideia é focar primeiro no próprio quintal, o Hemisfério Ocidental, e agir com força se necessário.
A estratégia reduz compromissos com aliados históricos na Europa e na Ásia. O objetivo declarado é concentrar recursos e energia no combate a rivais, especialmente a China, mas sem buscar uma guerra direta. É uma mudança de postura que pode redesenhar alianças globais.
Para países como o Brasil, que observa de perto a região, o sinal é claro. A política externa americana priorizará seus interesses de forma muito prática. Ações militares focadas, como já vistas, são apresentadas como ferramentas válidas para garantir essa influência.
Aplicação prática da Doutrina Monroe
O plano cita diretamente uma antiga política dos EUA para as Américas, a Doutrina Monroe. Agora, ela ganha um corolário com o nome do ex-presidente Trump. A mensagem é que os vizinhos devem cooperar com os interesses americanos. Caso contrário, Washington promete uma resposta decisiva.
Como exemplo, o documento menciona a operação que capturou Nicolás Maduro na Venezuela. A ação é citada como modelo de intervenção rápida e precisa. A ideia é que esse tipo de movimento possa se repetir, se for julgado necessário para a segurança regional.
O texto também destaca locais considerados vitais. O Canal do Panamá e a Groenlândia são nomeados como áreas onde os EUA devem garantir acesso militar e comercial absoluto. São pontos estratégicos que voltam ao centro do planejamento de defesa norte-americano.
Aliados tradicionais em segundo plano
Para a Europa, o tom é de distanciamento. O documento afirma que os países do continente devem arcar com sua própria defesa contra a Rússia. O apoio americano, que já foi uma pedra angular, agora será limitado. A Ucrânia fica numa posição ainda mais delicada com essa mudança.
Na Ásia, um aliado crucial recebe um aviso similar: a Coreia do Sul. A nova doutrina sugere que Seul deve pagar sozinho pela sua defesa contra a Coreia do Norte. Isso liberaria as tropas americanas estacionadas no país. Essa pressão pode, inadvertidamente, incentivar a proliferação nuclear na região.
A defesa da democracia, um valor por décadas, não é mais listada como prioridade a ser promovida. A ordem internacional pós-Segunda Guerra parece estar sendo reescrita com base num cálculo frio de interesses nacionais imediatos.
A contenção da China sem guerra
A relação com a China é o ponto central da nova estratégia. Diferente de documentos anteriores, o objetivo não é declaradamente dominar ou humilhar o rival asiático. A meta declarada é mais simples: evitar que qualquer país, incluindo a China, domine os Estados Unidos.
O texto fala em buscar uma relação respeitosa, mas sempre a partir de uma posição de força militar esmagadora. A ideia é que essa força permita negociar em termos sempre favoráveis aos EUA. Taiwan não é citada nominalmente, mas a defesa de arquipélagos aliados na região é enfatizada.
Outros pontos incluem a modernização do arsenal nuclear e a criação de novos sistemas de defesa antimísseis. O documento reflete uma visão de mundo onde a paz é garantida pela força projetada de forma unilateral. É uma aposta arriscada, que o próprio desenrolar dos eventos globais vai testar.
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