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Estudo aponta mais de 365 mil pessoas em situação de rua no Brasil

O cenário nas ruas do Brasil segue uma direção preocupante. A cada novo levantamento, os números confirmam que mais pessoas estão vivendo sem um teto. No final do ano passado, essa realidade atingia mais de 365 mil brasileiros. É um aumento expressivo se observarmos os últimos anos.

A pandemia, curiosamente, trouxe uma trégua passageira nesse fluxo. Entre 2020 e 2021, houve uma queda no número de pessoas nas ruas. Políticas de auxílio emergencial certamente tiveram um papel nisso. No entanto, a melhora foi temporária e a curva voltou a subir de forma constante a partir de 2022.

A concentração desse problema não é uniforme pelo país. A região Sudeste responde por sozinha por mais de 60% do total nacional. Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais lideram os números absolutos. Por outro lado, unidades da federação como o Amapá apresentam os menores registros.

Os motivos por trás do aumento

Especialistas apontam uma combinação complexa de fatores para explicar esse crescimento. Um deles é paradoxalmente positivo: o fortalecimento do Cadastro Único. Com um registro mais preciso, é possível visualizar melhor a dimensão real da população em vulnerabilidade. Isso não significa que há mais pessoas, mas que o sistema as enxerga com mais clareza.

Por outro lado, a ausência de políticas públicas estruturantes é um ponto crítico. Programas pontuais de assistência são importantes, mas não resolvem sozinhos. A falta de acesso a moradia digna, a oportunidades reais de trabalho e a educação de qualidade formam um ciclo difícil de romper. Sem essas bases, a situação tende a se perpetuar.

A vida também ficou mais cara e difícil após a pandemia. A precarização do trabalho e o aumento do custo de vida jogam muitas famílias no limite. Quando a escolha é entre pagar o aluguel ou comprar comida e remédios, o desfecho muitas vezes é a rua. Emergências climáticas também forçam deslocamentos e agravam a vulnerabilidade.

A visão de quem vive a realidade

Quem está na linha de frente do movimento social reforça essa análise. A fome, embora em queda em alguns indicadores, ainda é uma ameaça real no dia a dia. Muitas pessoas precisam priorizar despesas fixas em detrimento da alimentação. O preço dos medicamentos, por exemplo, pode consumir uma renda inteira, inviabilizando qualquer outra despesa.

O avanço tecnológico também surge como uma barreira inesperada. Muitas pessoas em situação de vulnerabilidade não têm acesso à reciclagem profissional. Elas ficam para trás em um mercado de trabalho que exige cada vez mais habilidades digitais. Isso cria um abismo entre a necessidade de emprego e as qualificações demandadas.

A solução, na visão de ativistas, passa por um olhar mais humano. É preciso tratar a pessoa em situação de rua como um cidadão desempregado, e não como um problema a ser isolado. A chave está na capacitação profissional, no combate ao preconceito e em políticas integradas de moradia e emprego. Sensibilizar o setor privado é um passo fundamental nesse caminho.

A resposta das autoridades

No estado de São Paulo, a Secretaria de Desenvolvimento Social afirma trabalhar de forma integrada com os municípios. Foram repassados milhões em recursos, com parte direcionada especificamente para essa população. A expansão de programas como o Bom Prato, que oferece refeições a baixo custo, é uma das frentes de ação.

Outra iniciativa mencionada é a ampliação do Serviço de Acolhimento Terapêutico Residencial. O foco aqui é oferecer autonomia, com suporte para renda e moradia, para pessoas afetadas pelo uso de substâncias psicoativas. A ideia é criar um caminho para sair das ruas, e não apenas um abrigo temporário.

O governo federal, por meio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, não se pronunciou sobre os dados mais recentes no momento da apuração. O diálogo entre todas as esferas de poder, no entanto, se mostra essencial para reverter um quadro que afeta centenas de milhares de vidas.

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