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Estados renovam pressão por criação de pasta da Segurança com saída de Lewandowski

A saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça reacendeu um debate antigo no Planalto. Agora, a pressão aumenta para que o governo Lula crie, de fato, um Ministério da Segurança Pública. A promessa foi feita ainda na campanha eleitoral, mas nunca saiu do papel. O tema voltou com força total e divide opiniões no núcleo duro do governo.

O presidente condiciona essa separação à aprovação de uma emenda constitucional. Essa mudança daria mais poderes à União na área de segurança. Sem esses instrumentos, na visão do Palácio, um novo ministério poderia nascer sem dentes. Seria uma estrutura vazia, incapaz de promover mudanças reais e duradouras no setor.

Enquanto isso, o Conselho de Secretários de Segurança Pública se manifestou. O grupo, que reúne os gestores estaduais, defende a criação imediata da pasta. O argumento é claro: a segurança é uma área complexa e vital que merece atenção exclusiva. Hoje, ela divide espaço com outras funções gigantescas dentro do Ministério da Justiça.

O argumento a favor de um ministério próprio

Para os secretários estaduais, o momento é mais do que oportuno. A transição no comando da Justiça seria a janela ideal para fazer a mudança. Eles alegam que segurança pública precisa de um comando unificado e com poder de articulação permanente. O diálogo entre União, estados e municípios é visto como a base para qualquer avanço.

O conselho lembra que essa não é uma ideia nova. Já existiu um Ministério da Segurança Pública no passado, durante o governo Michel Temer. Na avaliação deles, a experiência foi positiva e bem-sucedida. A estrutura dedicada permitiu focar em políticas específicas para o setor, sem a dispersão de outras pautas.

O documento vai além e até sugere nomes para comandar o possível novo ministério. São citados o secretário de Segurança do Piauí, Chico Lucas, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A indicação sinaliza que há quadros técnicos qualificados disponíveis para assumir o desafio, se a decisão for tomada.

Os obstáculos e as hesitações internas

Dentro do governo, porém, a ideia não é um consenso. Há um grupo que pressiona pela divisão imediata, aproveitando a saída de Lewandowski. Eles acreditam que a medida daria um sinal político forte ao eleitorado. A segurança pública é um tema que sempre aparece no topo das preocupações dos brasileiros.

No entanto, outra ala de aliados pede cautela. O grande temor é o tempo. A emenda constitucional precisa ser aprovada no Congresso, o que pode ser um processo lento. Se a criação do ministério ficar para muito perto das eleições de outubro, não haverá tempo para mostrar resultados práticos.

Sem resultados visíveis, a nova pasta poderia se tornar um alvo fácil para a oposição. Lula ainda não deu sinais claros de qual caminho vai seguir. Ele também tem elogiado publicamente o trabalho do ministro da Educação, Camilo Santana, um dos cotados para a Justiça. Mover peças agora criaria um novo quebra-cabeça ministerial.

Os nomes na mesa e os prós e contras

Falando em Camilo Santana, ele é um dos principais nomes cotados para assumir o Ministério da Justiça. Sua experiência administrativa e a visibilidade nacional são pontos fortes. Como governador do Ceará, ele enfrentou crises de segurança complexas, o que conta a seu favor.

Aliados defendem que o governo precisa de um ministro com perfil político de enfrentamento. Alguém que possa comunicar bem as ações, como a operação Carbono Oculto, ao eleitorado. No entanto, há um obstáculo: Camilo não é formado na área jurídica, um traço tradicional para chefiar a Justiça.

O outro nome forte é Wellington César, atual chefe do jurídico da Petrobras. Ele tem a vantagem da proximidade com Lula e da expertise legal. Sua nomeação causaria menos turbulência na Esplanada, pois não abriria uma vaga em outra pasta importante. A decisão final, como sempre, aguarda a palavra do presidente.

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