O ano começou marcado por uma triste realidade. Casos de feminicídio se multiplicam pelo país, deixando um rastro de dor e indignação. São histórias de mulheres que perderam a vida simplesmente por serem mulheres. Esse tema urgente já chegou ao centro do debate político, com pressões por ações mais firmes.
Em São Paulo, o estado registrou o maior número de feminicídios de sua história só em 2025. Foram 233 mortes entre janeiro e novembro, segundo dados oficiais. As agressões classificadas como lesão corporal dolosa também bateram recorde, com mais de 61 mil registros. Os números mostram uma epidemia de violência que acontece dentro de casa, mas que precisa ser enfrentada como uma questão pública.
Diante da crise, parlamentares da base do governo federal pressionam o presidente Lula. A ideia é decretar estado de calamidade pública em relação aos feminicídios. Esse mecanismo permitiria destinar recursos específicos para políticas de prevenção. A medida ainda não foi adotada, mas a discussão ganha força a cada novo caso noticiado.
A resposta dos governos
Enquanto isso, em São Paulo, o governo de Tarcísio de Freitas enfrenta críticas. Um levantamento indica que os repasses para a Secretaria de Políticas para a Mulher serão reduzidos em 20% no próximo ano. O orçamento, que foi de cerca de 38 milhões de reais em 2025, deve cair para 30 milhões. A informação gera preocupação entre especialistas e ativistas.
O governo estadual nega que haja queda nos investimentos. Alega que o valor inicial sempre é incrementado ao longo do ano por meio de emendas parlamentares. No entanto, deputados estaduais foram os responsáveis por definir esse patamar de 30 milhões de reais para 2026. A discussão orçamentária revela a complexidade de transformar discurso em ação concreta.
No plano federal, a situação também apresenta desafios. O Ministério da Justiça, por exemplo, executou apenas 0,1% do orçamento previsto para o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios em 2024. Apesar da recriação do Ministério da Mulher, a implementação efetiva das políticas ainda parece esbarrar em obstáculos práticos e burocráticos.
O que diz a lei e os números
O feminicídio é o assassinato de uma mulher motivado por violência doméstica ou pelo simples menosprezo à sua condição feminina. Desde que esse crime foi tipificado há quase uma década, os números só cresceram. Em 2024, o Brasil atingiu a marca mais alta: 1.492 casos, uma média de quatro mortes por dia.
Esses crimes frequentemente são o desfecho trágico de uma longa história de agressões. Muitas vezes, as vítimas já haviam registrado queixa ou sofrido ameaças. O dado reforça a necessidade de proteger as mulheres antes que a violência chegue ao extremo. Aplicar a Lei Maria da Penha com eficiência é um passo fundamental nesse sentido.
Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no Pronatec. O aumento dos casos coloca sob os holofotes a efetividade das políticas públicas existentes. Tornozeleiras eletrônicas, casas-abrigo e delegacias especializadas são algumas das ferramentas, mas todas dependem de orçamento e vontade política para funcionarem plenamente.
Os debates e as narrativas políticas
No Congresso, as opiniões divergem sobre o caminho para combater a violência. Parlamentares de esquerda defendem mais investimento em redes de proteção e políticas sociais. Já algumas vozes à direita associam a solução ao fortalecimento da segurança individual, como o porte de armas para mulheres. O debate reflete visões de mundo distintas sobre o problema.
A deputada Bia Kicis, por exemplo, defende que a liberação de armas é uma forma de igualar a força física entre homens e mulheres. “Na hora que vier um agressor, você prefere ter uma arma ou a Lei Maria da Penha?”, questiona. Por outro lado, especialistas alertam que a presença de uma arma em um lar violento pode aumentar o risco de um desfecho fatal.
Tudo sobre o Brasil e o mundo aqui, no portal Pronatec. Enquanto o debate político segue, a vida real impõe sua urgência. Ações policiais pontuais, como a que prendeu 233 agressores em São Paulo em dezembro, são importantes, mas insuficientes. O desafio é criar um sistema que previna a agressão, e não apenas puna o agressor depois da tragédia.
A violência contra a mulher é um problema complexo, que exige respostas em várias frentes. Desde a educação nas escolas até o acolhimento nas delegacias, cada elo da corrente precisa ser fortalecido. A independência econômica das vítimas, citada por algumas parlamentares como crucial, é de fato uma ferramenta poderosa para quebrar ciclos de dependência e medo.
O orçamento público é a tradução material das prioridades de uma sociedade. A disputa pelos recursos destinados a proteger mulheres mostra que o tema, embora consensual no discurso, ainda é disputado na prática. O caminho é longo, e cada caso noticiado é um lembrete trágico do quanto ainda precisa ser feito.
A conversa nacional continua, na esperança de que números tão graves possam, enfim, começar a cair. A sociedade cobra, as famílias choram suas perdas e as histórias se repetem, pedindo por uma mudança real e efetiva.
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