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Entenda a cota parlamentar e a suspeita da PF sobre desvios envolvendo Sóstenes e Jordy

A Polícia Federal realizou uma operação nesta sexta-feira que atingiu dois deputados federais do Rio de Janeiro. Os parlamentares Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, ambos do PL, são investigados por suspeitas de desvio de recursos públicos. O caso gira em torno do uso das chamadas cotas parlamentares, verba destinada para custear despesas do mandato.

Durante as buscas, os policiais encontraram uma quantia significativa em dinheiro vivo. Foram apreendidos R$ 430 mil em espécie em um endereço ligado ao deputado Sóstenes Cavalcante. O valor chamou a atenção e se tornou um dos pontos centrais da investigação em curso.

A operação, batizada de Galho Fraco, foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Além das buscas, ele determinou a quebra do sigilo bancário dos investigados. O período analisado é extenso, indo de maio de 2018 a dezembro de 2024.

### O alvo da investigação policial

Os mandados foram cumpridos no Rio de Janeiro e em Brasília. Além dos dois deputados, assessores diretos deles também foram alvo das buscas. A PF suspeita que houve uma atuação coordenada entre agentes políticos e particulares para desviar e depois ocultar o dinheiro público.

A ação é um desdobramento de investigações anteriores, iniciadas em dezembro do ano passado. As suspeitas envolvem crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O foco está no caminho percorrido pelo dinheiro desviado das cotas.

Os relatórios financeiros e conversas apreendidas apontam indícios robustos de lavagem. A técnica suspeita envolvia o fracionamento de saques e depósitos em valores baixos, abaixo de dez mil reais. Movimentações financeiras elevadas sem origem clara também foram identificadas.

### O mecanismo das cotas parlamentares

Para entender o caso, é preciso saber o que é a cota parlamentar. Todo deputado federal recebe um valor mensal para cobrir gastos do mandato. Isso inclui aluguel de escritório no estado, passagens aéreas e locação de veículos, por exemplo.

A suspeita da polícia recai sobre os pagamentos feitos a uma empresa de locação de carros. Segundo a PF, essa empresa teria continuado a receber dinheiro mesmo depois de dissolvida. Os pagamentos eram feitos pelos deputados e depois reembolsados com a cota.

As transferências bancárias analisadas mostram um possível caminho do dinheiro. Os valores saíam da suposta empresa de fachada e iam para as contas de um assessor. Esse fluxo financeiro irregular é um dos eixos centrais do inquérito.

### As acusações da Procuradoria-Geral

A Procuradoria-Geral da República também tem uma leitura grave do caso. Para a PGR, os deputados desviaram recursos da cota por meio de seus assessores. O objetivo seria dar uma aparência de legalidade a todo o esquema montado.

Os diálogos interceptados indicam um conluio entre os assessores dos dois parlamentares. Eles teriam atuado em conjunto para estruturar o mecanismo de reembolso fraudulento. As provas colhidas até agora sustentam a tese de organização criminosa.

O suposto esquema permitia que o dinheiro público fosse desviado com uma roupagem de gasto legítimo. O reembolso pelas despesas de locação de veículos seria, na verdade, a porta de entrada para o desvio. Tudo com a ajuda de pessoas de confiança dos deputados.

### A defesa dos parlamentares investigados

Do outro lado, os deputados investigados negam veementemente as acusações. Sóstenes Cavalcante afirmou que o dinheiro vivo apreendido é proveniente da venda de um imóvel. Ele disse que o comprador optou por pagar em espécie e que ainda não havia depositado o valor.

O parlamentar também alegou sofrer perseguição política por ser de direita. Segundo ele, a operação teria motivações ideológicas claras. A quantia em dinheiro, para sua defesa, tem uma origem lícita e completamente justificável.

Carlos Jordy foi ainda mais incisivo em sua reação. Ele classificou as alegações da PF como “tosca” e chamou a operação de “covarde”. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o deputado se defendeu e criticou o timing e a forma da ação policial. O caso segue em investigação.

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