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Empresas de parentes de Toffoli tiveram sócio fundo ligado ao caso Master, diz jornal

Empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, tiveram um sócio inesperado. Um fundo de investimentos que fez parte dessas empresas está conectado a uma estrutura usada em fraudes investigadas no Banco Master. As informações são de uma apuração detalhada feita por jornalistas.

Esse fundo, chamado Arleen, teve participação em pelo menos duas empresas com ligações familiares. Uma delas é a administradora de um resort no Paraná, que contou com irmãos do ministro como sócios. A outra é uma incorporadora da mesma cidade, que tinha um primo de Toffoli entre seus donos.

A ponte com o caso Master não é direta, mas se dá por uma rede de aplicações financeiras. O Arleen investiu em outro fundo, que por sua vez recebeu dinheiro de veículos ligados ao Maia 95. Este último foi apontado pelo Banco Central como parte do esquema de fraudes do banco.

A teia de conexões

A administradora por trás dessa rede de fundos é a empresa Reag. Ela é uma peça central na investigação. A mesma Reag que geriu recursos ligados a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e que é alvo da operação Carbono Oculto. A suspeita é de lavagem de dinheiro para uma organização criminosa.

É importante notar que o fundo Arleen não é investigado diretamente. Ele funcionou como um elo nessa corrente. Curiosamente, ele tinha apenas um cotista e foi encerrado no ano passado. Seu último balanço mostrava quatro investimentos: as duas empresas dos parentes de Toffoli, uma holding opaca e o fundo RWM Plus, que leva ao caso Master.

Segundo as investigações, a estrutura da Reag teria sido uma ferramenta para desviar recursos. O dinheiro emprestado pelo Banco Master era movimentado por meio da compra de ativos de baixo valor. A manobra servia para inflar patrimônios de forma artificial, criando uma aparência de legitimidade.

O ministro e o inquérito

Dias Toffoli é, hoje, o relator do inquérito que apura as fraudes do Banco Master no STF. Ele assumiu o caso após um recurso da defesa do próprio Daniel Vorcaro. Desde então, o ministro manteve a investigação sob sigilo e tomou decisões que geraram debates intensos.

As medidas adotadas por Toffoli foram questionadas por setores do mercado financeiro e da política. A manutenção do sigilo, em particular, é um ponto que sempre levanta discussões sobre transparência. Enquanto isso, a reportagem tentou ouvir todos os envolvidos.

A Reag, o Banco Master e os parentes do ministro não se manifestaram sobre as descobertas. O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, informou que Toffoli não comentou o assunto até o momento da publicação. O silêncio das partes deixa muitas perguntas ainda no ar.

O caso segue seu curso, ilustrando como redes financeiras complexas podem criar conexões surpreendentes. A apuração continua para desvendar todos os fios dessa trama.

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