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Em derrota para Vorcaro, juiz dos EUA reconhece processo de liquidação do Master

A Justiça dos Estados Unidos deu um passo importante no complicado processo de falência do Banco Master. Um juiz da Flórida reconheceu oficialmente a liquidação judicial que está em andamento no Brasil. Esse aval significa que as regras do processo brasileiro agora valem também para bens e interesses localizados em solo americano.

A decisão atende a um pedido do administrador judicial que cuida da liquidação do banco no Brasil. O objetivo principal é proteger os ativos do fundador Daniel Vorcaro e de seus sócios que estejam nos EUA. A ideia é evitar que credores individuais executem esses bens antes que um plano geral de pagamento seja definido para todos.

Com a determinação, qualquer ação contra os bens do grupo nos Estados Unidos foi automaticamente suspensa. O magistrado americano destacou que o processo principal segue no Brasil, onde estão os interesses centrais do caso. O reconhecimento garante autonomia para a Justiça brasileira conduzir a liquidação.

O argumento da defesa

A defesa de Daniel Vorcaro tentou impedir esse reconhecimento na justiça americana. O argumento usado foi de que o processo de liquidação no Brasil ainda poderia ser revisado pelo Tribunal de Contas da União. Por isso, pediram que os Estados Unidos adiassem a decisão.

O juiz, no entanto, não acatou o pedido. Ele entendeu que o processo brasileiro deve ter plena força e efeito também nos EUA. A decisão será vinculante para todas as pessoas e entidades envolvidas. O magistrado também afirmou que o reconhecimento não trará dificuldades para os credores.

Segundo a corte, a medida é um procedimento padrão em casos de falência com ativos internacionais. Ela serve para organizar e centralizar as ações, evitando uma corrida desordenada pelos bens restantes. O foco é garantir uma divisão justa entre todos que têm direitos a receber.

Os poderes do liquidante

Um dos pontos contestados pela defesa era a amplitude de poderes que o liquidante brasileiro buscava nos EUA. Havia receio de que ele usasse os tribunais americanos para obter autoridade excessiva, como ouvir testemunhas e coletar provas diretamente.

O juiz americano foi claro ao autorizar essas ações. O administrador judicial está apto a examinar testemunhas, solicitar informações e coletar provas sobre ativos, negócios e obrigações dos devedores nos Estados Unidos. Essa autorização é considerada crucial para um trabalho completo de liquidação.

Além disso, a ordem judicial proíbe que qualquer pessoa ou entidade inicie novas ações contra os bens de Vorcaro e do Master nos EUA sem autorização expressa. O liquidante também está autorizado a operar os negócios e exercer poderes de administrador judicial no país, sempre com a supervisão da corte de falências da Flórida.

O processo segue seu curso no Brasil, mas com um importante braço estendido sobre o patrimônio no exterior. Esse tipo de cooperação judicial internacional é fundamental em casos de grande vulto, onde os interesses financeiros não respeitam fronteiras geográficas. A decisão busca dar mais eficácia e segurança a todo o longo caminho da liquidação.

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