Você sempre atualizado

Em decreto ‘Justiça por Orelha’, governo Lula eleva multas por maus-tratos a animais

Agora ficou mais caro maltratar animais no Brasil. O governo federal acabou de aumentar o valor das multas para quem comete atos de violência ou negligência contra bichos. A mudança, publicada em decreto, atualiza regras antigas e pode deixar a conta bem salgada para os infratores.

A decisão tem nome e história. Ela ficou conhecida como “Justiça por Orelha”, em referência a um cachorro comunitário muito querido de Florianópolis. O caso do animal, que não resistiu a ferimentos graves, comoveu o país e mostrou a necessidade de punições mais duras. A comoção nas redes sociais e os protestos nas ruas foram direto para a mesa de quem faz as leis.

A partir de agora, os valores mudam da porta para a rua. Antes, as multas administrativas por maus-tratos variavam entre R$ 500 e R$ 3.000. Esse patamar era considerado baixo e pouco eficaz para coibir a crueldade. A nova régua sobe consideravelmente, com valores que partem de R$ 1.500 e podem chegar a R$ 50 mil por animal atingido.

Como funcionam as novas multas

O cálculo final do valor depende de uma análise detalhada. As autoridades ambientais vão avaliar a gravidade da conduta e suas consequências para o animal. Fatores como sofrimento intenso, lesões permanentes ou a morte da vítima pesam muito na hora de fechar a conta. A reincidência do infrator também entra nessa equação.

Em situações mais graves, a soma pode ficar astronômica. Para casos enquadrados como agravados, o total das multas aplicadas pode alcançar a marca de R$ 1 milhão. A ideia é que a punição tenha um efeito dissuasor real, fazendo o infrator pensar duas vezes antes de agir. A regra vale para qualquer animal, silvestre ou doméstico.

É importante entender que esta é uma penalidade administrativa. Isso significa que ela é aplicada por órgãos de fiscalização ambiental, como o Ibama, independentemente de um processo criminal. Eles podem lavrar autos de infração sempre que identificarem maus-tratos. A medida busca fechar o cerco por todos os lados.

A história por trás da mudança

Tudo começou com um cachorro chamado Orelha. Ele viveu por cerca de dez anos na Praia Brava, em Florianópolis, sendo cuidado por moradores e comerciantes. Em janeiro deste ano, o animal foi encontrado gravemente ferido e, apesar dos cuidados veterinários, não sobreviveu. A suspeita de agressão gerou uma enorme revolta.

A repercussão foi imediata e tomou conta da internet. Manifestações em várias cidades do país pediam justiça por Orelha e punições mais severas em geral. O caso se tornou um símbolo da luta contra a violência animal. A pressão popular foi tão grande que chegou aos ouvidos do governo federal, que prometeu rever as normas.

A avaliação do Ministério do Meio Ambiente era clara: as multas antigas estavam defasadas e não assustavam mais. Elas não acompanharam a inflação e nem a evolução da sociedade sobre o tema. O caso triste de um cachorro virou o catalisador para uma mudança concreta na legislação, mostrando como a mobilização faz diferença.

Multa não anula processo criminal

Uma coisa não exclui a outra. A nova multa administrativa é uma camada a mais de responsabilização. Ela existe paralelamente às penas previstas no código penal. Desde 2020, a lei de maus-tratos já prevê reclusão de dois a cinco anos para quem agride cães e gatos, além de multa e proibição da guarda de animais.

São esferas diferentes da justiça agindo. Uma autoridade ambiental aplica a multa do decreto. Já a condenação criminal depende de um processo judicial, que pode ser movido pelo Ministério Público com base nas provas do caso. O infrator pode, portanto, ter que pagar uma fortuna em multa e ainda responder a um processo que pode levar à prisão.

A regra também estabelece critérios objetivos para medir a gravidade das infrações. O grau de sofrimento imposto, a ocorrência de morte ou sequelas permanentes e a repetição da conduta são pontos analisados. A lei fica mais clara para quem aplica e mais temível para quem desrespeita a vida dos animais.

Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.