Em artigo no NYT, Lula critica ataque dos EUA à Venezuela e diz que ‘hemisfério pertence a todos nós’
O presidente Lula publicou um artigo de opinião em um grande jornal dos Estados Unidos, abordando um tema de peso nas relações internacionais. O texto trata de uma ação militar recente contra a Venezuela e faz reflexões sobre como os países resolvem seus conflitos. A discussão vai muito além de um evento isolado, tocando em questões fundamentais para a estabilidade global.
No artigo, Lula expressou uma visão bastante crítica sobre o episódio. Ele descreveu a ação como mais um capítulo negativo na erosão do direito internacional. Segundo sua análise, a ordem multilateral construída após a Segunda Guerra Mundial estaria sendo constantemente desgastada por atitudes como essa.
O ponto central do presidente é que o uso da força por grandes potências, quando se torna frequente, enfraquece a autoridade das Nações Unidas. Sem regras coletivamente acordadas, argumenta ele, fica impossível construir sociedades verdadeiramente livres e democráticas. A paz e a segurança globais ficam diretamente ameaçadas quando a força bruta vira regra, e não exceção.
As consequências de ações unilaterais
Lula detalhou no texto o que enxerga como os efeitos práticos dessas intervenções. Ações isoladas, sem amplo acordo internacional, geram instabilidade em várias frentes. Elas podem interromper fluxos comerciais e desestimular investimentos em regiões inteiras, com impacto direto na economia das pessoas.
Outra consequência grave é o aumento no fluxo de refugiados, um problema humanitário complexo que sobrecarrega nações vizinhas. Além disso, a capacidade dos países de combater desafios comuns, como o crime organizado transnacional, fica enfraquecida em um cenário de desconfiança e conflito.
O presidente destacou que é especialmente preocupante ver essa prática aplicada na América Latina e no Caribe. Nossa região, com seus mais de 660 milhões de habitantes, tem buscado a paz através do respeito à soberania e da defesa da autodeterminação dos povos. Temos nossos próprios interesses e sonhos a defender, afirmou.
A soberania da América Latina
Lula foi enfático ao falar sobre a posição da região no concerto das nações. A América Latina não será submissa a projetos hegemônicos de qualquer potência estrangeira, escreveu. O hemisfério pertence a todos nós, e seu futuro deve ser construído com base no diálogo e no respeito mútuo.
Sobre a Venezuela, o presidente brasileiro foi claro: o futuro do país deve permanecer nas mãos de seu próprio povo. Apenas um processo político inclusivo, liderado e conduzido pelos venezuelanos, pode levar a uma solução democrática e sustentável para os desafios que enfrentam.
Por fim, Lula ressaltou que o Brasil mantém um diálogo construtivo com os Estados Unidos. Como as duas maiores democracias do continente, a cooperação entre os países é essencial. Somente trabalhando juntos, concluiu, podemos superar os desafios que afligem nosso hemisfério.
Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.