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Dólar cai para R$ 5,15, menor valor em dois anos, com tarifas dos EUA em foco; Bolsa renova recorde

A semana começou com mais um dia de notícias intensas nos mercados financeiros. Para quem acompanha o câmbio, a sensação foi de alívio. O dólar fechou mais uma vez em queda, batendo um novo recorde negativo para os últimos dois anos. Enquanto isso, a Bolsa de Valores brasileira fez o movimento oposto e disparou, marcando um novo patamar histórico. O que está por trás dessa movimentação tão expressiva? Tudo indica que a resposta está em decisões tomadas do outro lado do mundo.

A grande novidade partiu dos Estados Unidos. O governo norte-americano começou a implementar uma nova política de tarifas de importação, um tema que sempre deixa os investidores em alerta. A surpresa, porém, foi positiva. A taxa aplicada foi de 10%, e não os 15% que haviam sido anunciados anteriormente. Essa diferença, ainda que pareça pequena, foi suficiente para acalmar os ânimos do mercado internacional.

Com um imposto menor do que o esperado, o sentimento de aversão ao risco deu lugar a um maior apetite por investimentos. Os olhos dos grandes capitais globais se voltaram para os mercados emergentes, que costumam oferecer retornos mais atrativos. O Brasil, com seus juros em patamares elevados, se tornou um destino natural para esse fluxo de dinheiro. Esse movimento explica a força do real e a fraqueza do dólar por aqui.

O cenário internacional e seus desdobramentos

Essa nova tarifa americana não nasceu por acaso. Ela é uma resposta direta a uma decisão da Suprema Corte dos EUA, que derrubou a base legal da política tarifária anterior. Os juízes consideraram que o presidente não poderia impor sobretaxas sozinho, sem a aprovação do Congresso. Diante dessa limitação, a equipe de Trump buscou uma lei diferente, de 1974, para justificar a medida.

A legislação utilizada agora tem um prazo definido: a taxa pode vigorar por até 150 dias. Após esse período, ela expira, a menos que os congressistas americanos decidam estendê-la. Essa é uma diferença crucial. Apesar do limite temporal, a incerteza comercial deve permanecer. Um analista destacou que, teoricamente, o governo poderia renovar a medida a cada 150 dias, criando uma sensação de instabilidade prolongada.

A medida colocou em xeque acordos comerciais recentes dos Estados Unidos com outros países. Parceiros como Japão, União Europeia e Reino Unido já sinalizaram que querem manter os benefícios já negociados. A China, por sua vez, criticou as "tarifas unilaterais" e se mostrou aberta a novas conversas. Enquanto o dólar se fortaleceu frente ao euro e ao iene, no Brasil o efeito foi interpretado de forma distinta.

O impacto direto no mercado brasileiro

Aqui, a percepção foi de que a notícia poderia ser, na verdade, positiva. Para alguns produtos brasileiros, uma tarifa de 10% é menor do que as alíquotas que já eram aplicadas antes. Essa visão, somada ao fluxo de investidores estrangeiros em busca de oportunidades, criou um cenário quase perfeito para nossos ativos. O real ganhou força e o dólar perdeu o importante suporte de R$ 5,20, o que acelerou ainda mais sua queda.

Na Bolsa, o Ibovespa não só se recuperou das perdas do dia anterior como disparou para um novo recorde histórico, superando a marca de 191 mil pontos. Dois setores puxaram esse movimento. O de petróleo, impulsionado pela alta nos preços do barril e pelo bom desempenho da Petrobras. E o bancário, que se recuperou após um dia de ajustes. O fluxo de estrangeiros comprando ações nacionais foi um combustível extra.

Enquanto os mercados europeus ficaram estáveis, Wall Street também teve um dia positivo, com as ações de tecnologia na liderança. O anúncio de novas ferramentas de inteligência artificial por uma grande empresa do setor animou os investidores. O dia mostrou, mais uma vez, como eventos políticos distantes podem ter efeitos rápidos e profundos no bolso do brasileiro, influenciando desde o câmbio até a poupança de quem investe.

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