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Doja Cat canta sobre sexo e paixão em show provocativo em São Paulo

A plateia já cantava junto antes mesmo de ela aparecer. Quando Doja Cat finalmente surgiu, foi com uma careta e o microfone entre as pernas, marcando o tom da noite. O show em São Paulo, nesta quinta-feira, foi quase duas horas de muita energia e entrega. A artista se apresentou com uma intensidade que conquistou o público do início ao fim.

Ela está em turnê para promover o álbum “Vie”, lançado no ano passado. Sua última passagem pelo Brasil tinha sido em 2022, no festival Lollapalooza. Naquela época, Doja Cat vivia o auge do sucesso com “Planet Her”. O disco foi aclamado como um dos mais importantes do rap recente.

O caminho desde então não foi sem altos e baixos. Alguns lançamentos posteriores não geraram o mesmo burburinho, e polêmicas surgiram pelo caminho. Aos poucos, ela parecia ter perdido um pouco do foco do público. Esse novo trabalho, no entanto, reacendeu a chama. O show atual é a prova disso, misturando as novas faixas com os sucessos que os fãs tanto amam.

O repertório e a performance

Entre os momentos mais aguardados, estiveram clássicos como “Kiss Me More”, sua parceria vencedora do Grammy com SZA. Outro destaque foi “Woman”, música que combina uma letra feminista com uma batida dançante e irresistível. Essa mistura de sensualidade e ritmo forte é a assinatura sonora de Doja Cat.

Canções como “Need to Know” e a ousada “Wet Vagina” mantiveram essa tônica durante toda a apresentação. A linguagem corporal da artista foi um espetáculo à parte. Ela usou cada gesto, cada expressão facial, para comunicar a mensagem das músicas. Lambia os lábios, mordia o dedo e dançava com uma provocação calculada.

O visual reforçava essa atmosfera: um sutiã preto e branco, meia-calça de renda e uma calcinha de couro por cima. Mas a performance foi muito além da sensualidade. Doja Cat incorporou uma energia frenética e quase animalesca em alguns momentos. Arregalava os olhos, simulava estar possuída ou em transe, levando a experiência a um nível teatral.

A conexão com o público e o palco

Um detalhe que chamou a atenção foi a resistência vocal da rapper. Ela conduziu quase todo o show cantando no gogó, com pouquíssimo uso de playback. Não se preocupou em parecer perfeita o tempo todo. Em vários momentos, soltou gritos rasgados que só aumentaram a intensidade crua da apresentação.

A estrutura do palco foi simples, mas eficiente. Um palco elevado foi montado dentro da Suhai Music Hall, casa de shows no Shopping SP Market. Isso garantiu que todos na plateia, mesmo os que chegaram mais atrás, conseguissem vê-la. A banda ficou nessa plataforma junto com ela, mostrando tanta energia quanto a artista principal.

Os músicos e as duas backing vocals formavam todo o grupo de apoio. Não havia um corpo de balé, mas isso não fez a menor falta. Doja Cat preencheu o espaço sozinha, com uma presença de palco contundente. A interação direta com o público, porém, foi um ponto que poderia ter sido maior.

Fora alguns gritos de “Brasil” – quase uma tradição para artistas internacionais –, a comunicação foi mínima. Ela compensou um pouco esse distanciamento no final da noite. Ao terminar a música “Jealous Type”, a artista pegou um buquê de rosas e as atirou para a plateia, um agradecimento silencioso mas visual. A imagem dela com o fio do microfone preso no salto, cantando de cabeça para trás, ficou como a última lembrança de uma noite intensa.

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